Os setores por trás da recuperação de empregos em Minas Gerais

Segmento industrial reverteu saldo negativo de dezembro, mas Fiemg alerta que cenário ainda pede cautela
Imagem mostra soldador em fábrica. Indústria mineira abriu 9.195 vagas em janeiro, revertendo saldo negativo de dezembro; calçados, alimentos e vestuário lideraram as contratações no estado.
Indústria mineira abriu 9.195 vagas em janeiro, revertendo saldo negativo de dezembro; calçados, alimentos e vestuário lideraram as contratações no estado. Foto: Miguel Ângelo/CNI

Calçados, alimentos e vestuário lideraram a retomada de contratações na indústria, em vagas com carteira assinada, em Minas Gerais no início de 2026. Levantamento nos microdados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revela que só a cadeia calçadista gerou mais de 1,1 mil vagas em janeiro, seguida de perto pelo complexo de alimentos e bebidas (também acima de 1 mil postos) e pela confecção e vestuário (cerca de 770 vagas). Esses foram os três segmentos que mais puxaram a recuperação industrial no estado.

No total, a indústria mineira abriu o ano com 9.195 postos de trabalho criados em janeiro, o que ajudou a combater o fechamento de 17.016 vagas em dezembro e superou as 8.177 vagas criadas em janeiro de 2025. O fôlego na indústria ajudou Minas Gerais a fechar janeiro com saldo positivo de 7.425 vagas formais — avanço de 83,8% sobre o mesmo mês do ano passado. A construção civil contribuiu com 4.243 postos, enquanto comércio (-5.741) e serviços (-606) encolheram no mercado de trabalho. No Brasil, o saldo foi de 112.334 vagas, o que compensou o fechamento de 618.164 postos em dezembro.

Em Belo Horizonte, o saldo geral foi negativo em 490 vagas, mas representou melhora significativa frente às 12.555 vagas perdidas em dezembro. A indústria na capital registrou saldo positivo de 856 vagas, o que superou o fechamento de 834 postos no mês anterior e as 324 vagas de janeiro de 2025.

Subclasses que puxaram a indústria

Dados desagregados por subclasse econômica mostram que a recuperação industrial em Minas Gerais foi puxada por segmentos tradicionais da economia mineira. Na cadeia calçadista, os reforços vieram da fabricação de tênis (275 vagas), calçados de materiais diversos (270), calçados de couro (220), partes para calçados (182) e calçados de material sintético (133), que responderam por quase 1,1 mil postos no mês, em polos como Nova Serrana e o entorno de Belo Horizonte.

O complexo de alimentos e bebidas também teve desempenho forte: abate de aves (471 vagas), fabricação de açúcar em bruto (258), fabricação de álcool (169), laticínios (107) e alimentos para animais (101) somaram mais de 1 mil postos.

A confecção e o vestuário acrescentaram cerca de 770 vagas, com destaque para a produção de peças do vestuário (379), facção (113) e roupas íntimas (99).

Outros destaques foram a coleta de resíduos não perigosos (733 vagas), a fabricação de móveis com predominância de madeira (474), a fabricação de fogões, refrigeradores e máquinas de lavar (414), a fabricação de aparelhos e equipamentos para distribuição e controle de energia elétrica (299), a fabricação de medicamentos alopáticos (236) e a fabricação de embalagens de material plástico (228). Já a cadeia automotiva somou cerca de 400 vagas, entre a fabricação de automóveis, camionetas, utilitários, peças, bancos, estofados e acessórios diversos.

Jovens beneficiados com saldo positivo

Segundo levantamento da Gerência de Economia da Federação das Indústrias do estado de Minas Gerais (Fiemg), a geração de empregos esteve fortemente concentrada entre jovens de até 24 anos. No Brasil, praticamente todas as vagas de janeiro foram ocupadas por essa faixa etária.

Em Minas Gerais, os jovens registraram saldo de 14.960 vagas, patamar superior ao saldo total do estado (7,4 mil postos), já que as demais faixas etárias tiveram saldos negativos. Em Belo Horizonte, jovens responderam por 2.003 vagas, enquanto as demais faixas registraram perdas líquidas.

De acordo com a economista Cibele Santiago, da Fiemg, o resultado evidencia a inserção de jovens no mercado formal, especialmente no início do ano, quando as empresas recompõem seus quadros. Ainda assim, essa faixa tende a apresentar maior rotatividade, por concentrar ocupações de entrada e vínculos mais curtos.

“Será importante acompanhar os próximos meses para avaliar a qualidade e a permanência dessas vagas ao longo do ano”, di. 

Cautela para o restante do ano

A avaliação da Fiemg é de que os dados reforçam o papel estratégico da indústria na sustentação do emprego formal, mas Cibele pontua que é prematuro enxergar uma retomada consistente.

“O ambiente macroeconômico segue desafiador, marcado pela desaceleração da atividade e pela manutenção de juros elevados”, avalia.

As projeções da entidade indicam crescimento do PIB em torno de 2% em 2026, abaixo do resultado de 2025. A desaceleração econômica, os juros elevados, as pressões fiscais e o calendário eleitoral tendem a reduzir o ritmo de geração de vagas. A expectativa é de moderação nas admissões.

Leia também:

Os setores por trás da recuperação de empregos em Minas Gerais

CNJ forma maioria para permitir home office em vez de licença a servidor que acompanha cônjuge em mudança

‘Sicário’ não tem histórico de problemas na prisão, diz governo de MG

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse