Pacheco diz que Minas deve cogitar política pública para proteger setores produtivos de tarifaço de Trump

Segundo o ex-presidente do Congresso Nacional, medida anunciada pelos EUA demanda ‘defesa firme da economia nacional’
O senador Rodrigo Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) defendeu, nesta quinta-feira (10), a possibilidade de implantação de uma política pública para proteger a economia de Minas Gerais dos efeitos da taxa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA) a todos os produtos brasileiros. Em nota enviada a O Fator, Pacheco afirmou que a medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, demanda a “defesa firme da economia nacional”.

“O momento requer de todos nós a defesa firme da economia nacional e, no caso específico de Minas Gerais, dos setores atingidos, a partir do diálogo, da diplomacia e até de um programa de Estado que possa preservar os interesses das nossas empresas e dos nossos trabalhadores. Esse é o único caminho”, disse Pacheco.

“Não podemos nos calar e nem aceitar subserviência diante de medidas intimidatórias que colocam em risco a soberania e os empregos dos brasileiros”, completou o ex-presidente do Congresso Nacional.

A sobretaxa de 50% foi anunciada por Trump nessa quarta-feira (9), em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto ignora o superávit norte-americano na balança comercial com o Brasil e afirma que a relação entre os países é deficitária para os EUA.

“Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não-tarifárias e barreiras comerciais do Brasil, causando esses déficits comerciais insustentáveis ​​contra os Estados Unidos. Este déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, devido aos contínuos ataques do Brasil às atividades de comércio digital de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais injustas, estou instruindo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 do Brasil”, lê-se em trecho da carta.

Trump ainda aproveita o documento para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu aliado ideológico e inelegível por determinação da Justiça Eleitoral, além de réu no Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.

“Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros Líderes de Países. A forma como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve acabar imediatamente”, diz.

Fala de Pacheco é contraponto a líderes à direita

A reação de Pacheco é um contraponto ao posicionamento de lideranças à direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador mineiro Romeu Zema (Novo). O grupo tem atribuído a Lula as responsabilidades pela decisão de Trump. Zema, por exemplo, chegou a culpar inclusive a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

“As empresas e os trabalhadores brasileiros vão pagar, mais uma vez, a conta do Lula, da Janja e do STF. Ignorar a boa diplomacia, promover perseguições, censura e ainda fazer provocações baratas vai custar caro para Minas e para o Brasil”, falou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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