O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou nesta quinta-feira (27) que considera encerrada a discussão sobre uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que seu foco passa a ser a definição sobre uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026 ou a saída da vida pública ao fim do mandato.
A declaração foi dada após sessão da comissão especial do Senado que discute o novo Código Civil. Pacheco comentou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Messias ainda precisa ser sabatinado pelo Senado.
“Da minha parte, em relação a essa situação, eu considero isso uma página virada, bem amadurecida”, afirmou o senador, ao ser questionado sobre o tema.
Enquanto Pacheco declara que avalia inclusive deixar a política em 2026, setores do PT em Minas Gerais trabalham para que ele dispute o governo do estado. Em reunião em Brasília, na terça-feira (25), a presidente estadual do PT, deputada Leninha, tratou do tema com a bancada do partido na Câmara dos Deputados.
Segundo participantes do encontro, houve consenso de que o PT mineiro não afastou a ideia de apoiar Pacheco como candidato ao governo. A avaliação interna é que o partido pode aguardar uma decisão definitiva do senador, que transmitiu recentemente a Lula a possibilidade de encerrar a trajetória política ao fim do atual mandato.
No mesmo encontro, dirigentes e parlamentares petistas também trataram da composição da chapa para o Senado. A prefeita de Contagem, Marília Campos, foi apontada como nome em construção para disputa à vaga de senadora, com apoio de diferentes grupos internos do PT.
Aliados articulam para evitar saída de cena
Paralelamente às declarações públicas de dúvida sobre seu futuro, aliados de Pacheco articulam para convencê-lo a permanecer na política e disputar o governo mineiro em 2026. Integrantes de sua base relatam que pretendem fazer um movimento organizado, porém discreto, para apresentar ao senador um cenário em que consideram haver condições de vitória.
Segundo interlocutores, o argumento central é o de que Pacheco poderia se tornar o nome de unificação de segmentos da centro-esquerda e de campos próximos, em torno de uma candidatura competitiva ao Palácio Tiradentes. Esse grupo vê na possível aliança com o PT e no apoio direto de Lula um fator relevante na montagem da campanha no estado.
De acordo com relatos, prefeitos e deputados ligados ao senador planejam encontros e conversas para demonstrar a ele que haveria base territorial, tempo de televisão e palanque nacional suficientes para uma disputa em Minas, sobretudo se houver alinhamento com programas federais em execução no estado.
Definição passa por consultas
Na fala desta quinta-feira, Pacheco reforçou que qualquer decisão sobre o futuro político passará por consultas à sua base em Brasília e em Minas. “Cabe agora sentar com meus companheiros do Senado e companheiros de Minas Gerais para decidir sobre a candidatura”, declarou.
O senador também destacou que mantém canais de diálogo com diferentes campos. “Converso com todo mundo. Até com meus adversários políticos eu dialogo”, afirmou, atribuindo a prática ao funcionamento das instituições democráticas.
Caso opte pela disputa ao governo, Pacheco terá ainda de resolver o destino partidário. Com o PSD abrigando a pré-candidatura de Mateus Simões, o senador conversa com outras siglas, entre elas PSB, MDB e União Brasil. O grau de autonomia que cada partido poderia assegurar em uma campanha estadual é apontado por pessoas próximas como fator determinante.
No PT mineiro, as movimentações em torno de Pacheco são vistas em conjunto com a tentativa de organizar o palanque de Lula no estado. A construção da possível candidatura de Marília Campos ao Senado e a expectativa sobre a decisão do senador compõem o desenho inicial da aliança para 2026.
Dirigentes petistas avaliam que Pacheco poderia funcionar como ponto de convergência entre setores que hoje se encontram dispersos no campo progressista em Minas. Para isso, porém, será necessário que o senador confirme a permanência na vida pública e aceite liderar uma chapa estadual em coordenação com a estratégia nacional do Planalto.