Pacheco vai se filiar ao PSB nesta quarta (1º) e aliados esperam a presença de Lula no evento

Após migração, senador vai focar na proximidade com Lula e na organização partidária antes de decidir sobre a disputa pelo governo
Lula e Rodrigo Pacheco
Lula ainda tenta convencer Pacheco a disputar o governo de Minas. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) vai se filiar na noite desta quarta-feira (1º) ao PSB, em ato na sede da sigla, em Brasília. O esperado é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participe do anúncio ou, ao menos, se reúna com o parlamentar no mesmo dia. O parlamentar comunicou sua decisão ao partido e a aliados na tarde desta terça-feira (31).

Lula foi o responsável por articular a filiação do senador à legenda. Pacheco esperou até próximo à data limite da Justiça Eleitoral, que se encerra no sábado (4), para decidir sobre a mudança partidária. Ele também conversava com o MDB.

Como mostrou O Fator, após a migração para os quadros do PSB, o movimento de Pacheco será o de intensificar a proximidade com o presidente e ampliar agendas políticas. O gesto busca avaliar o cenário antes de uma decisão sobre a disputa pelo governo mineiro – leia mais abaixo.

A avaliação interna no PSB é de que a filiação tende a ampliar a votação da sigla nas eleições deste ano. O paralelo traçado é que, se o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, apoiado por Lula na disputa ao governo de Minas em 2022, obteve 180 mil votos de legenda para o PSD, Pacheco pode alcançar resultado superior.

O entendimento é de que ele, se for concorrer ao comando do estado, pode contribuir para a eleição de pelo menos dois deputados federais – atualmente, o partido em Minas não conta com representante na Câmara Federal.

Nos últimos dias, o PSB dividiu os anúncios em etapas, como o lançamento da pré-candidatura de Simone Tebet ao Senado por São Paulo, no sábado (28), e a confirmação de Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa de reeleição de Lula, nesta terça-feira (31).

O partido, chefiado pelo prefeito do Recife (PE), João Campos, tem sido uma espécie de “abrigo” para aliados do presidente. Pacheco se reuniu, na última semana, em Brasília, durante um jantar, com lideranças da legenda, mas frustrou a delegação mineira que viajou para o encontro ao não anunciar a filiação.

Organização do PSB

A expectativa é que, no PSB, o senador tenha maior autonomia na condução partidária, com margem para influenciar as decisões internas, ainda que sem ocupar formalmente a presidência da legenda nesta chegada à agremiação. Atualmente, o partido em Minas é comandado pelo prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Costa.

Pelo que apurou a reportagem, o intuito é que o processo seja conduzido em etapas. Primeiro, a filiação. Depois, conversas internas sobre a organização interna na legenda visando a estrutura partidária para 2026. O mandato da executiva atual, de um ano, se encerra em 13 de maio deste ano, e Pacheco poderia assumir o comando.

O PSB também já filiou aliados do senador, como o ex-prefeito de Moema e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda. Ele, inclusive, foi quem articulou uma chapa de pré-candidatos a deputado federal, conhecida como “chapa municipalista”, formada por um grupo de 10 prefeitos.

Disputa pelo governo de MG

Ainda tratado como um processo em etapas, o último passo será a decisão central: se Pacheco vai aceitar ou não o convite do presidente para disputar o governo de Minas. O calendário eleitoral fixa 5 de agosto como prazo final para que os partidos realizem convenções e deliberem sobre as candidaturas no pleito.

Para essa definição, além de levantamentos internos e de garantias a serem dadas por Lula para a disputa, tanto em cenário de vitória quanto de derrota do senador, a estratégia inclui a ampliação da presença ao lado do presidente em agendas públicas.

Pacheco também pretende se reunir com prefeitos, deputados e lideranças de siglas aliadas, como o PT, além de intensificar a exposição nas redes sociais. O movimento busca medir o ambiente político e a receptividade a uma eventual candidatura ao governo estadual.

Outro ponto a ser observado é qual será o tom da pré-campanha adotado por outros nomes na corrida pela cadeira do Palácio Tiradentes. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e tem peso relevante na estratégia de reeleição do presidente.

Essa indefinição e a falta de perspectiva de quando virá a decisão sobre a candidatura ao comando do estado também têm provocado incômodo entre lideranças do PT em Minas. O receio é que o senador desista da disputa e a legenda fique sem alternativa competitiva, tendo de lançar um nome apenas para marcar posição.

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