PL admite possibilidade de dois palanques em Minas para candidatura de Flávio Bolsonaro

Partido avalia cenários com Cleitinho Azevedo e Mateus Simões enquanto monitora articulações e resistência interna sobre alianças
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tratam sobre o palanque em Minas Gerais. Foto: Beto Barata/ PL

O PL nacional trabalha com a possibilidade de ter dois palanques em prol da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em Minas Gerais: um encabeçado pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e outro pelo vice-governador Mateus Simões (PSD).

Esse cálculo passa, principalmente, pelo fato de os dois serem de oposição ao governo federal e pela dificuldade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em consolidar um candidato competitivo para a corrida ao Palácio Tiradentes.

A coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, relatou nesta quarta-feira (11) que o senador Rogério Marinho (PL-RN) falou a um grupo de empresários, durante evento em Brasília (DF), sobre a hipótese de múltiplos palanques em Minas.

“Existem hoje duas ou três alternativas de palanques majoritários. Vamos avaliar da melhor forma possível para fazermos a composição ideal e há possibilidade, inclusive, de ter dois palanques para apoiar a candidatura do presidente Flávio”, afirmou o senador.

A O Fator, Marinho disse que o principal interlocutor sobre o palanque no estado é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e ressaltou que o partido monitora a situação semanalmente: “Existem alternativas e existem afinidades. A decisão não está tomada”, pontuou.

Cleitinho tem dito abertamente que apoiará Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Simões, apesar de almejar uma aliança com o PL, reitera o compromisso de fazer campanha para o governador Romeu Zema (Novo) na disputa ao Palácio do Planalto.

Os liberais tentam convencer Zema a compor uma chapa com Flávio. Por ora, ele tem resistido à ideia e salientado que a intenção do Novo é ter chapa própria no pleito nacional. Por outro lado, nomes do PL avaliam que o fato de Simões não fazer campanha pela reeleição de Lula já conta como algo positivo para Flávio.

Nikolas na equação

Citado por Marinho, Nikolas Ferreira tem cumprido agendas com Simões pelo interior do estado – três delas, inclusive, estão previstas no Triângulo Mineiro nesta quinta-feira (12).

Em que pese a boa relação do parlamentar com o vice-governador, que se fia nessa proximidade para angariar o apoio do PL, a maior parte da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro tem predileção por Cleitinho.

Nos bastidores, contudo, interlocutores do PL afirmam que a construção desse cenário depende também da postura adotada por Cleitinho nas próximas semanas. Integrantes do partido relatam que o parlamentar tem “falado demais” durante entrevistas.

O senador revelou, ao longo das últimas semanas, tentativas de uma aliança com o PL. Ele citou a busca por uma conversa com Nikolas sobre a composição de uma chapa. Nos bastidores, também se diz que o parlamentar fez outras tentativas de aproximação, mas sem sucesso.

Fontes do PL acreditam que o momento é de aguardar sinais de distensão por parte de Cleitinho para avançar em uma eventual composição. A avaliação interna é que ainda há “tempo de sobra” para a definição de uma chapa.

Outra carta colocada na mesa é a avaliação interna sobre se o estilo de Cleitinho seria sustentável ao longo de uma campanha ao Executivo. Há receio de que o senador não conduza a campanha em sintonia com a estratégia política que a legenda pretende estabelecer no estado.

Mas, mesmo que não haja um acordo formal entre o PL e Cleitinho em Minas Gerais, a expectativa no partido é que o senador mantenha apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro durante a campanha.

De olho em Simões

Em relação a Mateus Simões, interlocutores do PL dizem que o nome do vice-governador é visto com mais simpatia por Nikolas Ferreira. No entanto, parte da estrutura da sigla em Minas demonstra resistência à possibilidade de uma aliança com ele.

A possibilidade de Zema manter a pré-candidatura ao Planalto não é o único ponto levantado nas conversas internas. Também há queixas sobre a relação do vice-governador com integrante do chamado “baixo clero” do PL mineiro.

Conforme filiados ao PL, Simões prioriza os diálogos com os principais articuladores da sigla e não tem feito o trabalho de campo junto às bases do partido em Minas.

Como mostrou a reportagem, a expectativa é de que, ao assumir o comando do estado no fim do mês, no lugar de Romeu Zema, ele faça acenos a parlamentares da legenda em busca de apoio, sobretudo na área de segurança pública.

Dúvidas

Outra opção no cenário do PL é a candidatura própria. Após Nikolas Ferreira descartar entrar na corrida, o nome prioritário do PL para essa hipótese passou a ser o do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que pretende se filiar ao partido neste mês.

Flávio de olho em Minas

Como mostrou O Fator, Flávio Bolsonaro afirmou a aliados que pretende direcionar cerca de 70% da agenda dos dois primeiros meses de pré-campanha à Presidência da República para visitas a Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. O giro deve iniciar após o fim dos 30 dias da janela partidária, que termina em 3 de abril.

Uma das preocupações do PL neste ano é manter próximo de 90 o número de cadeiras na Câmara dos Deputados e ampliar a representação no Senado Federal e nas Assembleias Legislativas. Em Minas, conforme interlocutores, o plano é conseguir eleger 30 deputados federais e estaduais.

Após essa reorganização partidária, Flávio vai percorrer as cidades com os nomes que sairão como candidatos ao Legislativo pelo país. A definição sobre o nome ao governo mineiro, contudo, deve ficar para o fim do semestre.

Em relação à escolha por Minas, aliados citam a máxima recorrente no meio político de que quem vence no estado vence no país. O território mineiro também concentra o segundo maior colégio eleitoral nacional e é o estado de origem de Nikolas.

Outro elemento mencionado por fontes ouvidas pelo O Fator é o peso simbólico do estado para a família Bolsonaro. Foi em Juiz de Fora, na Zona da Mata, que o pai de Flávio sofreu um atentado a faca durante a campanha presidencial de 2018.

O partido quer explorar esse episódio ao longo da pré-campanha. Entre as cidades que devem ser visitadas entre março e abril estão Belo Horizonte, Juiz de Fora (Zona da Mata), Montes Claros (Norte) e Uberlândia (Triângulo).

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