Por que aliados de Kalil e Pacheco descartam dobradinha eleitoral em chapa lulista

Reedição da aliança do ex-prefeito de BH com partido de Lula é tida como improvável por dirigentes petistas no estado
Foto: Pedro França/Agência Senado

Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) descartam a possibilidade de os dois dividirem o palanque no 1° turno da eleição deste ano. Nesta sexta-feira (20), o colunista Lauro Jardim, de O Globo, noticiou que há tratativas para que Pacheco seja o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao governo do estado e Kalil apareça como um dos concorrentes da chapa ao Senado Federal. Por motivos distintos, os dois lados apontam a costura como inviável.

Para interlocutores do senador ouvidos por O Fator, a aliança não acontecerá por causa de desgastes acumulados na relação entre eles. A avaliação é que Pacheco não concordaria com a entrada de Kalil na chapa. Do outro lado, o entorno do pedetista assegura que ele não pretende abrir mão da pré-candidatura ao Executivo estadual em prol de participar da corrida à Casa Alta do Congresso Nacional.

PT também rechaça

Uma dobradinha entre Kalil e Pacheco é vista como improvável, também, por integrantes do PT. Há a percepção de que o trânsito do ex-prefeito com aliados de Lula já não é mais o mesmo de 2022, quando ele concorreu ao Palácio Tiradentes com apoio dos petistas.

Desde a última vez que visitou BH, em novembro do ano passado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, passou a demonstrar ceticismo quanto a uma eventual repetição da aliança com Kalil. À época, o dirigente chegou a visitar o ex-prefeito em sua casa. Embora tenham relação que não nasceu na política, mas no futebol — Kall foi presidente do Atlético e Edinho é pai de Pedro Martins, dirigente com passagens por clubes como Cruzeiro, Vasco e Santos — a conversa entre eles terminou sem grandes avanços.

Esticando a corda

Na visão de aliados de Kalil, não faz sentido interromper a pré-campanha ao governo neste momento. Há, ainda, a avaliação de que a inclusão do nome do ex-prefeito no rol de potenciais candidatos ao Senado pode prejudicar a relação com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que é pré-candidata ao cargo e tem o desejo de ser o nome prioritário de Lula na disputa legislativa em Minas.

Na avaliação desse grupo, se a intenção fosse compor com o PT, faria mais sentido aceitar a proposta de embarcar nas tratativas para a construção de uma candidatura unificada ao governo, levada por Edinho a Kalil em novembro do ano passado.

MDB ou União Brasil

Embora ainda esteja filiado ao PSD, Pacheco mudará de partido. Se for candidato ao governo, o senador deve migrar para o União Brasil. O MDB também aparece como possibilidade.

O retorno aos quadros emedebistas, pelo que a reportagem apurou, seria o caminho preferencial caso o parlamentar entrasse na disputa eleitoral não para concorrer ao governo mineiro, mas como candidato a vice de Lula.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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