Um jantar agendado para a próxima terça-feira (25) entre o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) provocou incômodo entre os petistas mineiros. Para integrantes da cúpula estadual do partido de Luiz Inácio Lula da Silva, a iniciativa, que exclui a executiva local, chega na pior hora: a sigla ainda tenta recompor o ambiente interno após a eleição para a presidência da agremiação em Minas, marcada por áudios vazados e judicialização.
“O PT ainda está rachado. Não está na hora de testar os ânimos e arriscar uma nova briga interna e reacender tensões”, disse um interlocutor.
A crise recente opôs o grupo de parlamentares como Rogério Correia, que defendia a deputada estadual Leninha à presidência da sigla em Minas, ao bloco liderado por Reginaldo Lopes, que lançou a deputada federal Dandara Tonantzin.
Impedida de concorrer por uma dívida de R$ 130 mil com a sigla, Dandara levou o caso à Justiça. Posteriormente, desistiu do pleito e abriu caminho para a vitória de Leninha. O processo, no entanto, deixou feridas abertas.
Paralelamente, Kalil, que disputou o Executivo estadual em 2022, tenta reconstruir protagonismo e trabalha para voltar à cena como candidato ao governo.
Elo com Lula
Para isso, precisa montar uma frente de centro-esquerda que o acolha. E é aí que entra Edinho, visto como elo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja relação com Kalil esfriou.
Em 2022, o ex-prefeito foi o rosto de Lula em Minas. Agora, como antecipou O Fator, quer manter identidade visual e discurso próprios mesmo que conte com o apoio presidencial.
O gesto de procurar Edinho sem dialogar com o PT mineiro, porém, foi recebido como um “atropelo”. Dirigentes avaliaram o movimento como uma pressão indevida sobre um partido que ainda não reorganizou suas lideranças após o racha.
Sem consenso
Kalil não é consenso. Embora ele tenha a simpatia da ala mais ligada à prefeita de Contagem, Marília Campos, e de ter recebido a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em sua posse no PDT, em Brasília, a sigla prefere e investe em Rodrigo Pacheco, considerado nome mais competitivo para liderar a chapa da centro-esquerda, mas que ainda não decidiu sobre 2026.
Mesmo assim, dirigentes reconhecem que o PDT é peça relevante na construção de uma aliança ampla para 2026. “Mas ninguém chega com candidatura fechada numa negociação”, lembra um dirigente.
A resistência a Kalil também remete a 2022. Naquele ano, ele criticou a articulação petista no estado e rompeu a conversa com quadros da cúpula. “Kalil não tratou a esquerda com o devido respeito. Eu vi o quanto o PT foi leal a ele. E ele não devolveu na mesma proporção”, diz um interlocutor.
Segunda tentativa de encontro
Esta é, inclusive, a segunda tentativa recente de encontro entre Kalil e Edinho. O presidente nacional havia confirmado presença no ato de boas-vindas de Kalil ao PDT, em Belo Horizonte, no início de novembro, mas cancelou por causa do falecimento do ex-deputado petista Paulo Frateschi (SP).
Na ocasião, o PT foi representado pela prefeita de Contagem, Marília Campos. Como revelou O Fator, uma ala da sigla pediu que a presidente estadual, Leninha, não comparecesse ao evento. E a solicitação foi acatada.