Setores do PSD favoráveis à filiação do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), acreditam ser viável tê-lo no partido ainda neste ano. A possível entrada de Simões na legenda presidida nacionalmente por Gilberto Kassab é admitida inclusive pelo governador Romeu Zema (Novo). A data da mudança, contudo, não está fechada.
O que trava esse movimento é justamente a indefinição do senador Rodrigo Pacheco sobre o futuro político. Nome desejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao governo do estado e, consequentemente, enfrentar Simões nas urnas, o congressista ainda não bateu o martelo a respeito dos rumos que tomará.
Cortejado por legendas como União Brasil, MDB e PSB, Pacheco lida com um impasse que tem, como elemento adicional, a possibilidade de uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) surgir neste ano.
Membros da Corte já o elogiaram publicamente para o cargo, mas a indicação passa por Lula, que conta com outros nomes na fila, como o do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.
Segundo aliados de Pacheco, ele permanece na sigla e não tem pressa para definir os próximos passos. Na visão de apoiadores do senador, a publicização das conversas sobre a transferência de Simões para o PSD compõe uma estratégia de pressão para que a filiação se concretize. Em meio a esse movimento, Kassab segue em silêncio e evita comentar publicamente o que se passa nos bastidores.
O motivo não é à toa. O PSD depende de definições no cenário nacional, em especial da decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre apoiar ou não a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto em 2026. Ideologicamente, o partido de Kassab está alinhado com o centrão numa disputa nacional do que com Lula.
Tarcísio ainda é chefe do presidente nacional pessedista, que ocupa a Secretaria de Governo e Relações Institucionais do governo paulista, e já sinalizou a aliados que apenas depois de resolvidas as questões nacionais haverá espaço para ajustes nos estados. Esse quadro ajuda na cautela de Pacheco em definir qual será sua trajetória.
Outro fator que explica a cautela de Pacheco em relação ao próprio futuro está no peso que mantém dentro do PSD. Apesar das divergências internas, ele segue como a principal liderança da sigla no estado. Ex-presidente do Senado e aliado do presidente Lula, interlocutores afirmam que, mesmo diante da pressão local em favor de Simões, sua decisão será tomada em alinhamento com Kassab.
Cautela de parte a parte
Antes, Pacheco já tinha dúvidas se disputaria o governo de Minas, buscaria a reeleição ou retornaria à advocacia. Mas o antigo sonho de ocupar uma cadeira no STF ganhou novo fôlego nas últimas semanas, diante da possibilidade de o ministro Luís Roberto Barroso antecipar a aposentadoria prevista apenas para 2033.
Em entrevistas de despedida, Barroso evitou confirmar ou negar planos para além da Corte. Falou sobre um retiro espiritual marcado para outubro, mencionou estar feliz no Supremo, mas também reconheceu sentir que já cumpriu seu papel. Entre frases de efeito e respostas abertas, deixou margem para interpretações que aumentaram a incerteza no cenário político mineiro.
Como mostrou O Fator, no entorno do ex-presidente do Senado, a avaliação é clara: sem uma definição do ministro, Pacheco não pretende anunciar tão cedo seus próximos passos. O cálculo é que, se confirmar agora a candidatura ao governo de Minas, seu nome perde força nas articulações para uma eventual vaga no Supremo, caso o ministro decida se aposentar.
Outro ator cujo futuro político carece de definição é o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Cotado para concorrer ao Senado e politicamente próximo de Pacheco, ele recebeu sondagem do PSB para se transferir. Um entusiasta dessa ideia, inclusive, seria o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Mateus Simões, por sua vez, não tem se posicionado publicamente sobre a possibilidade de migrar para o PSD. Ele chegou a sinalizar que só há espaço para se mudar à legenda em caso de desfiliação de Pacheco ou de confirmação do senador de que estará fora do páreo estadual em 2026.
Busca por musculatura
A boa visão de aliados de Simões quanto a uma mudança para o PSD passa pelo entendimento de que o partido fornecerá mais musculatura eleitoral que o Novo. Há, ainda, avaliações que apontam a legenda de Kassab como uma agremiação mais próxima ao centro político, fator importante para atrair votos de eleitores que não se identificam com chapas essencialmente à direita.
