Por que prefeitura de MG decidiu não cobrir rombo milionário causado por crise do Banco Master

Sistema previdenciário de Congonhas amargou prejuízo de mais de R$ 16 milhões com liquidação da instituição de Daniel Vorcaro
Fachada do Banco Master, em SP
Banco Master entrou em liquidação extrajudicial. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Prefeitura de Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, decidiu não cobrir o rombo de R$ 16,5 milhões sofrido pelo sistema previdenciário municipal por causa da liquidação extrajudicial do Banco Master. Nesta segunda-feira (19), o poder Executivo da cidade informou a O Fator que, sem considerar a inflação oficial, a carteira de investimentos da previdência local terminou o ano passado com rentabilidade de 7,5%.

Segundo a gestão liderada pelo prefeito Anderson Cabido (PSB), a taxa de retorno foi superior à meta traçada no início do ano, de 5,19% acrescidos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A rentabilidade final, de acordo com a prefeitura, não considerou os valores aplicados no Master.

“O retorno obtido é aproximadamente 40% acima da taxa de juros de referência, demonstrando adequada a política de investimentos com a legislação afeta ao tema”, pontuou a administração municipal de Congonhas.

“Diante do contexto, a unidade gestora informa que não será exigido do município promover qualquer aporte financeiro ou complementação de recursos em decorrência dos eventos ligados à liquidação extrajudicial do banco Master”, completou.

Como O Fator mostrou na semana retrasada, o Ministério da Previdência Social apontou que estados e municípios têm a função de cobrir prejuízos sofridos pelos sistemas locais de previdência. Assim, a responsabilidade de arcar com eventual desfalque gerado pela liquidação do Master seria da Prefeitura de Congonhas.

De onde, para onde 

A relação entre Master e a Prevcon, nome dado à engrenagem de aposentadorias e pensões da administração de Congonhas, começou em maio de 2024. À ocasião, a entidade decidiu aportar R$ 14 milhões em letras de crédito do banco de Daniel Vorcaro.

Até outubro do ano passado, quando o Master encerrou as atividades por determinação do Banco Central, o investimento já havia rendido R$ 2,5 milhões à Prevcon.

Letras de crédito não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), poupança destinada a proteger aportes em renda fixa em bancos que acabam liquidados ou sofrem intervenção.

Previdências municipais e estaduais que investiram no Master detinham, juntas, cerca de R$ 1,8 bilhão antes da liquidação. Quase metade desse valor — R$ 1 bilhão — foi depositado pela Rioprevidência, que controla benefícios pagos a servidores inativos e a pensionistas ligados ao estado do Rio de Janeiro. 

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