O debate sobre os rumos que o PT vai tomar na disputa pelo Senado Federal por Minas Gerais chegou de vez às instâncias nacionais do partido. Interlocutores com bom trânsito junto a integrantes da direção liderada por Edinho Silva e a congressistas defendem que é preciso oficializar, desde já, a pré-candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos.
No entendimento desse grupo, alçar Marília neste momento ao posto de representante do PT na corrida ao Senado reduzirá ruídos internos, tendo em vista que dois dos três assentos do estado na Casa estarão em jogo na eleição de outubro.
Antes do recesso parlamentar, o tema foi assunto em reuniões petistas no Congresso Nacional. Mesmo sem mandato, quem participa das conversas é Roberto Carvalho, ex-vice-prefeito de Belo Horizonte e ex-deputado estadual. Carvalho, que possui boa relação com a bancada mineira do partido e com setores da Executiva nacional, diz que Marília precisa ser a protagonista do projeto do PT mineiro para o Senado.
“Duas cadeiras estarão em disputa e nada nos impede de ganhar ambas”, afirma.
Segundo Carvalho, Marília reúne atributos considerados importantes: recall eleitoral, experiência administrativa e desempenho favorável em levantamentos internos e pesquisas já conhecidas no meio político. A combinação tem sido usada como argumento para defender que o protagonismo do PT na disputa ao Senado passe, prioritariamente, por seu nome.
Paralelamente, dirigentes e parlamentares avaliam que a exposição pública de divergências internas representa um risco para a estratégia em construção. A avaliação compartilhada em Brasília é de que conflitos abertos enfraquecem a mensagem de unidade e dificultam a consolidação de um projeto eleitoral comum — sobretudo quando o partido busca apresentar um nome competitivo desde a largada.
A eventual candidatura de Marília também é vista como parte de um esforço mais amplo de reorganização do PT em Minas Gerais. Nas conversas internas, costuma-se lembrar que a legenda já esteve à frente de cidades estratégicas do estado, como Belo Horizonte, Betim e Poços de Caldas, e que, apesar das perdas recentes, ainda preserva uma base eleitoral relevante.
