Dezenove dos 41 vereadores de Belo Horizonte assinaram, no início da semana, uma moção de repúdio à deputada federal Duda Salabert (PDT-MG). O documento, que será enviado à Câmara dos Deputados se nenhum parlamentar municipal pedir a impugnação do texto até o começo da próxima semana, tem tom de protesto contra falas de Duda sobre vereadores que, na última sexta-feira (3), votaram contra o projeto de lei sobre a instituição de tarifa zero universal nos ônibus da capital mineira.
“Os vereadores que, antes, eram favoráveis, mudaram da noite para o dia, a opinião. A pergunta é: por que? Quanto custou esse voto?”, questionou Duda, em vídeo publicado na sexta-feira (3) no Instagram.
O tom utilizado pela deputada desagradou vereadores.
“Ao dizer ‘quanto custou esse voto?’, (Duda) imputou delito aos mesmos, qual seja a venda de seus votos por ‘interesses obscuros’, afirmação contida em sua rede social — Instagram —, fala que por si só já merece repúdio”, lê-se em trecho da moção.
Em caso de pedido de impugnação, a nota de repúdio contra Duda será levada ao plenário da Câmara Municipal. Lá, os vereadores decidirão se o texto deve ou não ser remetido ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Ex-colega lidera articulações
As articulações pelo envio da moção de repúdio são encabeçadas pela vereadora Flávia Borja (DC), colega de Duda na Câmara de BH entre 2021 e o início de 2023.
“Não podemos aceitar que uma parlamentar que não faz parte da Câmara Municipal venha ao plenário ofender vereadores por se posicionarem de forma diferente do que ela considera correta”, diz Borja, em menção ao fato do vídeo de Duda ter sido gravado nas dependências do Legislativo Municipal.
Ainda segundo a vereadora, a moção só não foi apoiada formalmente pelos 30 vereadores que votaram contra o Tarifa Zero porque 10 deles não assinaram o texto a tempo da apresentação.
Em nota enviada por sua assessoria, Duda Salabert ironizou a iniciativa dos seus ex-colegas de Câmara Municipal.
“De acordo com a Unesco, 30% da população brasileira é composta por analfabetos funcionais. Esse número, desconfio, é maior na Câmara de vereadores de Belo Horizonte. Antes, vereadores de BH gastavam dinheiro público votando nomes de ruas. Agora, gastam dinheiro público votando moção de repúdio. Eu me pergunto: ‘quanto custa o analfabetismo no Brasil?’, rebateu.