O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), inseriu, no rol de alvos de uma notícia-crime contra o desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, o vereador Anderson José Rodrigues, o Pipico (PT), de Niterói (RJ). Pipico, assim como outros representantes da Acadêmicos de Niterói, é acusado de intolerância religiosa. O parlamentar consta na peça, encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por ser presidente de honra da agremiação.
Além do petista, são citados o presidente da escola, Wallace Palhares, e o carnavalesco Tiago Martins, responsável pela criação das alegorias e fantasias apresentadas na avenida. O material foi encaminhado ao MPRJ nessa quarta-feira (18), dia em que a Niterói acabou rebaixada ao Grupo de Acesso.
Zema apresentou a queixa-crime por causa da ala “neoconservadores em conserva”, em que Martins satiriza o que chama de família tradicional. Nos documentos apresentados aos jurados para justificar a fantasia, uma paródia de latas de alimentos em conserva, o carnavalesco diz que o figurino foi pensado para representar “grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo” e cita “os representantes do agronegócio, uma mulher de classe alta, os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos”.
A menção aos evangélicos, segundo o governador, fez parecer que pessoas desse grupo religioso são “vilãs de qualquer política pública encabeçada pelo governo federal”.
“O escopo da Acadêmicos de Niterói parece ser, portanto, criar uma narrativa carnavalesca de que pessoas que professam a religião evangélica são de menor valor, representando, ao que parece, na visão deles, um retrocesso social por defender valores tradicionais da família. O auge do menosprezo religioso provocado pela escola de samba é incluí-los como fantasiados de pessoas dentro de latas de conserva apenas para rotulá-los como neoconservadores, o que ocorreu, como se percebe das imagens do desfile”, argumentou.
Ainda conforme o político do Novo, que é pré-candidato à Presidência da República, a linha de enredo adotada pela agremiação pode induzir a uma “guerra cultural” contra os evangélicos.
“A escolha para tornar os evangélicos como pessoas que professam uma religião que, ao que parece, na visão deles, causam um mal para o Brasil foi totalmente deliberada e voluntária da escola de samba Acadêmicos de Niterói, o que configuraria, em tese, verdadeira prática de intolerância religiosa”, afirmou.
Pipico comemora a vitória de outra escola
A Acadêmicos de Niterói terminou a apuração com apenas duas notas 10 em 36 possíveis. Ambas foram obtidas no quesito samba de enredo. Apesar da derrota da escola que homenageou Lula, Pipico aproveitou a quarta-feira de cinzas para comemorar a vitória da Unidos do Viradouro, também de Niterói, que venceu o carnaval com um enredo sobre Ciça, mestre de bateria da própria escola.
“A gente fica triste por um lado, pelo resultado da Niterói, mas fica feliz pelo resultado da Viradouro”, afirmou, em entrevista ao site CN1 Brasil.
Antes de assumir a presidência de honra da escola que homenageou Lula, Pipico foi o presidente de honra da Acadêmicos do Cubango, outra escola niteroiense.
A Acadêmicos de Niterói, por sua vez, se manifestou sobre o rebaixamento por meio de uma publicação no Instagram. Quanto vale entrar para a história?”, diz a legenda do post, que apresenta uma arte com os dizeres “A arte não é para os covardes”.
