Um dia após a deflagração da Operação Otacílio, da Polícia Federal, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), dispensou o engenheiro Ricardo de Miranda Aroeira, alvo da investigação, do cargo comissionado de chefe da diretoria de gestão de Águas Urbanas (DGAU).
O desligamento de Aroeira consta na edição desta quarta-feira (24) do Diário Oficial do Município (DOM). Apesar de estar em uma função comissionada, Aroeira é servidor concursado do Executivo municipal.
O secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Leandro César Pereira, foi designado pelo prefeito para responder interinamente pela DGAU.
Aroeira foi nomeado servidor efetivo da Prefeitura de Belo Horizonte em 1993. Desde 1995, entretanto, vinha ocupando de forma ininterrupta cargos de confiança na administração municipal. Ele estava na diretoria de Águas Urbanas desde agosto de 2015.
A investigação
O inquérito da Polícia Federal tem foco em possíveis irregularidades em contratos de US$ 7,5 milhões (R$ 39,6 milhões na cotação atual), firmados para operações de limpeza da Lagoa da Pampulha.
A gestão dos recursos ficou sob responsabilidade da DGAU, mesmo órgão apontado durante os trabalhos de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) instauradas na Câmara Municipal de Belo Horizonte nos últimos três anos, como epicentro das irregularidades.
Em 2022, o parecer da primeira CPI foi rejeitado e o a comissão foi arquivada. Já em 2024, o relatório final de uma segunda CPI foi aprovado na Câmara.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal indicam indícios de crimes como organização criminosa, prevaricação, corrupção ativa, fraude à licitação e crimes ambientais.