Presidente do Novo em Minas diz que filiação de Simões ao PSD é por ‘continuidade’

A filiados, Christopher Laguna afirmou que partido terá espaço na chapa liderada pelo atual vice-governador em 2026
O presidente do Novo em Minas, Christopher Laguna.
O presidente do Novo em Minas, Christopher Laguna. Foto: Redes Sociais/Reprodução

O presidente estadual do Novo em Minas Gerais, Christopher Laguna, enviou nota oficial aos filiados da legenda neste domingo (19) para comunicar a saída do vice-governador Mateus Simões rumo ao PSD e formalizar a aliança com a sigla de Gilberto Kassab na disputa pelo governo estadual em 2026.

No documento, obtido por O Fator, Laguna confirmou que, a despeito da desfiliação, o partido integrará a coalizão de apoio ao vice-governador. Segundo o dirigente, a migração de Simões serve para “dar continuidade ao trabalho do Novo no estado”.

“O PSD também se junta ao Novo e aos demais partidos que já compõem a coalizão que busca reunir a direita e a centro-direita em Minas, com o objetivo de impedir a volta da esquerda ao poder”, afirmou Laguna.

O acordo prevê, a princípio, que o vice de Mateus Simões seja filiado ao Novo. No entanto, conforme apurou a reportagem, essa definição ainda pode sofrer alterações.

Laguna destacou que a consolidação da frente de direita em Minas Gerais também fortalece o projeto nacional de Romeu Zema, que disputará a Presidência da República pelo Novo em 2026.

“A consolidação dessa frente no estado impulsiona, ainda, o projeto nacional de Romeu Zema, que em 2026 disputará a Presidência da República pelo Novo”, escreveu.

“Minas é o coração do Brasil. O fortalecimento de nosso grupo no estado, com a chegada de cada vez mais partidos, certamente será decisivo para o sucesso nas eleições presidenciais”, complementou o presidente estadual da legenda.

A carta de despedida de Simões

A saída de Simões do Novo foi anunciada também neste domingo. Em carta aos filiados da legenda, o vice-governador atribuiu a mudança partidária à necessidade de unificação da direita em torno de uma candidatura única para 2026.

“Durante os últimos dez anos, estive completamente imerso em um projeto que considero até hoje o mais inovador da política brasileira: o Novo”, escreveu Simões. O vice-governador destacou a eleição como primeiro vereador do partido em Minas em 2016, a vitória de Zema em 2018 e a reeleição em 2022 como marcos de uma trajetória que agora se encerra no Novo.

Simões justificou a filiação ao PSD pela “força política” da legenda, que possui a maior bancada na Assembleia Legislativa e o maior número de prefeitos em Minas Gerais. “Acredito que a força política do PSD, com a maior bancada na Assembleia e o maior número de prefeitos do Estado, é essencial para enfrentar os riscos de candidaturas aventureiras e o retorno dos que tanto prejudicaram Minas no passado”, afirmou.

O vice-governador defendeu que o momento exige a formação de uma frente ampla entre os partidos de direita. “O cenário atual exige um movimento firme e responsável de convergência. É hora de reunir forças, ampliar pontes e garantir que PSD, Novo, a federação PP/União Brasil e partidos que sempre estiveram conosco, como Podemos, Solidariedade, PRD, Mobiliza e DC, estejam juntos em torno de um mesmo propósito”, escreveu.

Simões afirmou ainda estar aberto ao diálogo com PL e Republicanos, sinalizando a intenção de ampliar a frente de apoio para além dos partidos já alinhados.

A filiação de Simões ao PSD foi anunciada em mensagem conjunta dos presidentes nacional e estadual da legenda, Gilberto Kassab e Cássio Soares. O evento de filiação está marcado para o próximo dia 27.

A negociação com o PSD

O acordo entre PSD e Simões vinha sendo negociado há meses. No início de outubro, Kassab e Soares reuniram-se com Zema para debater a mudança de partido do vice-governador. Na ocasião, ficou acertado que, mesmo em caso de candidatura pessedista ao Planalto, Simões integrará o palanque de Zema na disputa presidencial.

A estratégia de Simões passa pela construção de uma frente ampla da direita para a eleição estadual. O vice-governador pretende entregar à federação formada por União Brasil e PP uma das duas vagas ao Senado Federal. O escolhido seria o secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, do PP.

Na busca por aproximação com o PL, Simões participou em junho de evento com o ex-presidente Jair Bolsonaro em Belo Horizonte. A boa relação com o deputado federal Nikolas Ferreira também é vista como trunfo para atrair o partido de Bolsonaro para a aliança.

O Republicanos, por sua vez, tem o senador Cleitinho Azevedo como pré-candidato ao governo estadual. Na Assembleia Legislativa, no entanto, o partido integra a base de apoio ao governo Zema.

Impacto no grupo de Pacheco

A chegada de Simões ao PSD pode provocar a saída do grupo liderado pelo senador Rodrigo Pacheco. O ex-presidente do Congresso Nacional é o nome desejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo mineiro em uma coalizão de centro-esquerda.

Aliados de Pacheco já sinalizaram que, em caso de filiação de Simões ao PSD, precisariam buscar novos partidos. O senador, cotado para integrar o Supremo Tribunal Federal após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, recebeu sondagens de PSB, MDB e União Brasil.

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