Presidentes mineiros dizem desconhecer acordo de Sóstenes sobre emendas

Líder do PL na Câmara disse haver acordo repartindo os R$ 11,5 bilhões em emendas de comissão
Lafayette de Andrade e Rogério Correia
Lafayette de Andrade e Rogério Correia disseram não conhecer o acordo citado por Sóstenes. Montagem/O Fator sobre fotos de Mario Agra/Câmara dos Deputados

Deputados federais mineiros que presidem comissões na Câmara disseram a O Fator que desconhecem um acordo citado pelo líder do PL em entrevista que o levou a ser intimado por Flávio Dino.

Sóstenes Cavalcante deu uma entrevista a O Globo publicada na sexta passada (25).

Diz o texto: “Segundo o líder do PL, o acordo [entre o presidente Hugo Motta e os líderes] prevê que as emendas de comissão sejam divididas da seguinte maneira: 30% do valor total que o colegiado têm ficam com o partido que o comanda e os outros 70% são distribuídos por Motta às outras siglas.”

Flávio Dino, de olho no orçamento secreto, intimou Sóstenes para prestar esclarecimentos. Nesta terça (29) ele confirmou ter recebido a intimação.

O Orçamento 2025 prevê R$ 11,5 bilhões para as emendas de comissão.

Neste ano nove comissões são presididas por deputados mineiros. O Fator procurou todos eles.

A assessoria de imprensa de Célia Xakriabá (PSOL-MG), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, não quis comentar, e orientou a reportagem a procurar a liderança do PSOL. A líder, Talíria Petrone (PSOL-RJ), disse “não ter ideia desse acordo”.

Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, respondeu: “Desconheço qualquer tratativa sobre esse tema”.

Rogério Correia (PT-MG), presidente da Comissão de Finanças e Tributação, foi sucinto: “Não sei disto”.

A assessoria de Zé Vitor (PL-MG), presidente da Comissão de Saúde, disse a O Fator ter procurado o deputado, mas ele não respondeu.

Dandara (PT-MG), Diego Andrade (PSD-MG), Fred Costa (PRD-MG), Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) e Zé Silva (Solidariedade-MG) não nos responderam.

No ano passado Dino mandou a Polícia Federal abrir inquérito sobre a nova fase do orçamento secreto, com as emendas de comissão no centro do escândalo.

O então presidente Arthur Lira e líderes partidários enviaram um ofício secreto à Casa Civil com uma planilha de 5.449 indicações de emendas de comissão, no valor total de R$ 4,2 bilhões.

Em petição ao STF, o PSOL mostrou que esse ofício secreto foi assinado “sem aprovação prévia e registro formal pelas comissões”.

Nem poderia ser de outro jeito. O ofício foi enviado em 12 de dezembro – o mesmo dia em que Lira fechou todas as comissões com uma canetada só, proibindo qualquer reunião.

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