A Polícia Rodoviária Federal (PRF) demitiu, nessa segunda-feira (23), um agente condenado por corrupção após investigações da Polícia Federal (PF), que apurou a cobrança de propinas de transportadores em rodovias federais de Minas Gerais.
Segundo a decisão, assinada pelo diretor-geral substituto da PRF, Cristiano Vaz Barros, o agente Marco Antonio Domingues se envolveu diretamente em esquemas de cobrança de propinas, o que levou à aplicação da penalidade máxima de demissão, com perda do vínculo definitivo com a corporação.
Domingues foi um dos alvos da Operação Domiciano, deflagrada pela Polícia Federal em 2020, com apoio do Ministério Público Federal (MPF). O inquérito identificou um grupo de policiais rodoviários federais que exigia pagamentos de motoristas e transportadores para liberar cargas e veículos durante fiscalizações, principalmente em rodovias da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
De acordo com o relatório final da PF, o grupo mantinha um sistema rotativo de arrecadação, no qual as propinas eram divididas entre os agentes de plantão. Interceptações telefônicas e registros financeiros mostraram que Domingues participou de abordagens em que caminhoneiros pagaram valores para evitar multas e apreensões, inclusive em fiscalizações que envolviam o transporte irregular de carvão vegetal.
O MPF denunciou Domingues pelos crimes de corrupção passiva e concussão, e a Justiça Federal em Belo Horizonte o condenou. A decisão judicial e o conteúdo das investigações serviram de base para a abertura e conclusão do processo disciplinar que resultou em sua exclusão dos quadros da corporação.