PT busca influenciadores para fortalecer candidaturas nas eleições de 2026

Com a meta de achar um “Nikolas Ferreira” para chamar de seu, sigla busca “gente de fora” mirando a disputa eleitoral
Integrantes da legenda destacam que, além da dificuldade para captar novos nomes, o partido lida com o desafio interno do “fogo amigo” na renovação eleitoral. Foto: Divulgação / PT

De olho nas eleições, o PT quer encontrar um “Nikolas Ferreira” para chamar de seu. Com o partido marcado por divisões internas e ainda ancorado na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que completará 80 anos em 2026, a sigla reconhece a necessidade de se renovar e ganhar espaço nas redes sociais.

Caciques da agremiação avaliam que existem nomes internos com potencial, como o do vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, mas são categóricos ao afirmar que, para uma renovação efetiva, será preciso buscar “gente de fora”. Leia-se: figuras com forte presença nas redes sociais, capazes de rivalizar com a direita.

Desde o início do terceiro mandato de Lula, a comunicação do Palácio do Planalto tem tido dificuldade para vencer a disputa com a direita no ambiente digital. A maré começou a mudar, ainda que de forma tímida, em julho, quando o governo emplacou a campanha “ricos contra pobres”, com o Congresso Nacional como vilão.

Um dos motivos apontados internamente para o êxito da campanha foi a aproximação, mesmo que tardia, com influenciadores. Na ocasião, o PT lançou a página “Influenciadores com Lula” como parte inicial desse movimento. O desafio agora é dar continuidade ao trabalho com essa rede e, mais do que isso, compreender como ela funciona.

E mesmo quando há entendimento sobre como o ambiente digital funciona, surge outra questão: a dúvida sobre adotar ou não uma estratégia semelhante à dos parlamentares da direita. Esse debate ficou evidente durante a campanha “ricos contra pobres”.

De um lado, alguns defendiam uma postura mais agressiva para gerar mais engajamento; de outro, os “mais antigos” pregavam cautela, principalmente amparados em questões jurídicas para evitar processos. Essa última foi a posição defendida, inclusive, pelo atual presidente do partido, Edinho Silva.

Tarifaço deu “up” em campanha

Contudo, o movimento ganhou força dentro da sigla, de forma até considerada espontânea, após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas às exportações brasileiras. A pauta “nacionalista” mudou de lado, e tanto o governo Lula quanto o PT não querem mais perder o timing.

“Já esperamos tempo demais com todas as discussões internas e acabamos perdendo muito, até mesmo no Congresso, por medo de adotar uma estratégia semelhante à da direita nas redes sociais. Se não nos posicionarmos e não buscarmos nomes de fora, vamos perder ainda mais espaço em 2026”, avalia um dirigente da legenda.

Ainda segundo ele, “já passou da hora” de buscar pessoas prontas, que não precisem aprender como funciona o ambiente digital, para se candidatarem no pleito do ano que vem. “Ou, mais uma vez, corremos o risco do que acontece agora: elegemos um presidente da República, mas não conseguimos governabilidade.”

Essa cobrança também foi feita por Lula durante a posse da nova diretoria nacional do PT, no último domingo (3). “Nessa eleição, o nosso partido só elegeu 70 deputados de 513. Se fôssemos tão bons como pensamos que somos, teríamos eleitos pelo menos uns 140, 150. Mas esse não é um defeito só do PT, é de toda a esquerda”, disse.

Fogo amigo

A O Fator, integrantes da sigla analisam que, além da dificuldade de atrair novos nomes, a legenda enfrenta um desafio interno chamado “fogo amigo” na renovação eleitoral. Na prática, figuras que surgem como possíveis sucessores de Lula ou que ameaçam hegemonias estaduais são queimadas com ajuda interna.

O exemplo mais citado é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que passou de quase presidente da República nas eleições de 2018 para um dos nomes com maior rejeição popular, devido a medidas econômicas adotadas e criticadas não somente por nomes da direita, mas também por aliados e parlamentares do PT.

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