O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, deve se filiar ao Partido Liberal entre 1º e 3 de abril, segundo interlocutores da direção da legenda em Minas Gerais. O período coincide com a saída dele do comando da entidade empresarial.
De acordo com a Justiça Eleitoral, o prazo para desincompatibilização de cargos por parte de quem pretende disputar as eleições de 2026 termina em 4 de abril.
Roscoe ainda avalia se participará da disputa eleitoral. O nome dele é citado para a sucessão do governador Romeu Zema (Novo), para a vaga de vice-governador ou para uma das duas cadeiras no Senado que estarão livres no estado.
A filiação à sigla e o espaço dele na chapa, a propósito, têm sido discutidos em reuniões frequentes. Em uma delas, realizada em 2 de fevereiro na sede do partido em Belo Horizonte, Roscoe conversou por quase duas horas com integrantes da cúpula da legenda em Minas Gerais.
Participaram do encontro os deputados federais Zé Vitor e Domingos Sávio, presidente estadual do partido, o presidente de honra da sigla, José Santana, e um interlocutor do deputado federal Nikolas Ferreira, responsável por montar as chapas no estado.
O nome de Roscoe também apareceu em uma lista de possíveis candidatos considerados para compor o palanque do senador Flávio Bolsonaro (RJ) em Minas Gerais. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o congressista é pré-candidato à Presidência da República.
A lista teria sido esquecida em uma sala após reunião do partido e, ao lado do nome de Roscoe, havia a anotação “conversa com Nikolas”.
Alianças
A movimentação ocorre enquanto a agremiação organiza a estratégia para a eleição presidencial no estado, segundo maior colégio eleitoral do país. Dirigentes da legenda afirmam que o objetivo é garantir um palanque forte e alinhado ao projeto nacional da sigla para evitar divisões internas.
Há, ainda, a preocupação de que o quadro das eleições de 2022 se repita. À época, Romeu Zema declarou apoio a Jair Bolsonaro apenas no segundo turno. O ex-presidente perdeu em Minas Gerais para Luiz Inácio Lula da Silva por 50,2% a 40,8% dos votos válidos. No resultado nacional, Lula venceu por 50,9% a 49,1%, comprovando a tese de que Minas reflete o país.
Cleitinho e Simões
O cenário estadual também envolve negociações do PL com outras lideranças. O partido mantém conversas com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não decidiu se disputará o governo de Minas, e com o vice-governador Mateus Simões (PSD), candidato do grupo situacionista ao Palácio Tiradentes.
Nos bastidores, aliás, dirigentes do PL defendem que Zema desista de eventual candidatura presidencial e apoie Flávio Bolsonaro na disputa nacional. Nesse cenário, o governador poderia ocupar a vaga de vice na chapa presidencial.
Caso essa articulação avance, interlocutores do partido afirmam que uma aliança com Mateus Simões em Minas poderia ser formalizada.