O número de veículos de carga que passam pela balança instalada nas Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas) caiu 46,5% entre 2020 e 2025, conforme levantamento obtido por O Fator junto à Minas Pesagens, empresa responsável pela operação do equipamento. Para produtores, a diminuição reflete uma retração no consumo das mercadorias comercializadas no entreposto. A administração da CeasaMinas, no entanto, discorda e diz que não houve recuo na quantidade de produtos que dão entrada na central, indicando estabilidade na demanda.
Entre janeiro e maio de 2020, conforme dados da Minas Pesagens, 2.685 caminhões passaram pela balança. No mesmo intervalo de 2025, esse número caiu para 1.436. O motivo, na avaliação do sócio-proprietário da empresa, Aroldo Santos, é a desaceleração no consumo, que teria encolhido em até 40%.
“As estruturas da central estão ultrapassadas. O cliente chega para comprar e não encontra estacionamento. Além disso, a renda caiu e as pessoas não estão consumindo como antes”, alerta.
Segundo a empresária Alexandra de Paula Ferreira, da Della Frutas, houve retração de 20% nas vendas neste ano, em comparação com 2024. Ela possui quatro operações no entreposto e trabalha com itens como abacaxi, melancia, coco seco, abóbora moranga e coco verde.
“Estou há 35 anos na CeasaMinas e percebo nitidamente o enfraquecimento do comércio. Muitos lojistas saíram em busca de pontos com melhores resultados”, relata.
Na ponta do lápis
Karina Gonçalves Campos, presidente da Associação Comercial da CeasaMinas (Acceasa), confirma que têm aumentado as queixas de queda no faturamento por parte dos comerciantes. Ela pondera, porém, que o período de frio impacta negativamente o consumo.
“As vendas em maio, junho e julho costumam ser mais fracas. Mas, fora esses meses, posso afirmar que os preços subiram bastante e que o consumidor tem levado menos alimentos para casa”, compara.
Ela lembra que, no passado, era comum que os clientes comprassem além da conta. “Antes, os hortifrutis eram bem mais acessíveis e as compras eram até exageradas. Hoje, as pessoas fazem cálculos. Até no Natal, quando geralmente se compra mais para montar a mesa, houve retração”, diz.
Mesmos números
Apesar da insatisfação entre os lojistas, dados da própria central mostram que a oferta de alimentos se manteve praticamente estável ao longo dos anos. Em 2020, por exemplo, entraram no entreposto 1,9 milhão de toneladas. No ano passado, foram 1,89 milhão. De janeiro a junho de 2025, o volume chegou a 929 mil toneladas, mesma média de anos anteriores.
Para Bruno Moreira Santos, chefe de gabinete da presidência, o recuo no fluxo de caminhões pela unidade de pesagem decorre de mudanças no setor logístico.
“Antes, os produtores utilizavam diversos veículos de pequeno ou médio porte. Hoje, concentram a carga em carretas maiores, o que reduz o número de viagens e gera economia com motoristas e combustível”, afirma.
Ele destaca ainda a ampliação da rede de balanças no estado. “Antes, havia duas ou três. Agora, são sete. É comum que os motoristas já cheguem com o caminhão carregado à central para agilizar o processo”, observa.