A lição de 2018 que faz Pacheco não antecipar decisão de candidatura ao governo de Minas

Aliados apontam desistência da corrida ao governo de Minas naquele ano como marco da postura do senador
O senador Rodrigo Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco avalia opções partidárias e se vai ser candidato ao governo de Minas. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) avaliam que um episódio das eleições de 2018 é um dos fatores que levam o parlamentar a adiar, desde então, decisões sobre o futuro político. A postura, tratada pelo entorno como “cautela”, gera ansiedade entre integrantes do próprio grupo político.

Desde o ano passado, parlamentares próximos a Pacheco aguardam que ele defina para qual partido irá migrar, para então acompanhá-lo, e, principalmente, se será ou não candidato ao governo de Minas Gerais, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas eleições deste ano.

Aliados relatam que, para o senador, na política, o ditado “quem chega primeiro bebe água limpa” não se aplica. Pelo contrário. A avaliação remonta a um episódio de agosto de 2018, quando então filiado ao antigo Democratas, o nome dele foi referendado em convenção partidária para disputar o comando do estado. 

Um dia depois, contudo, anunciou a desistência. Um acordo nacional entre DEM e PSDB retirou a candidatura de Pacheco ao governo, o levou a disputar o Senado e apoiar o nome do hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia (PSDB), que concorria ao Palácio Tiradentes. 

Na época, o senador afirmou que abriu mão de um sonho para fortalecer a coligação em nome do Brasil e de Minas. Aliados relatam que o episódio resultou em ao menos duas posturas adotadas desde então: a demora nas decisões e o fato de passar a tratar as questões em âmbito nacional, e não apenas estadual.

Compasso de espera

O grupo político de Pacheco passou a buscar outras opções de legenda desde outubro do ano passado, quando o PSD avalizou a chegada do vice-governador e pré-candidato ao governo de Minas, Mateus Simões, à sigla. O movimento expôs um racha interno.

Nesse contexto, as conversas também ficaram temporariamente paralisadas diante da expectativa de o senador ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou destinada ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

Depois disso, Pacheco passou a mencionar publicamente a possibilidade de deixar a vida política, e aliados chegaram a iniciar articulações individuais em busca de outras siglas, sobretudo os parlamentares com mandato que precisam realizar a transição durante a janela partidária, prevista para mês que vem. 

Momento atual 

Pacheco se reuniu com Lula no Palácio do Planalto na última semana. Na ocasião, conforme mostrou o O Fator, o petista reiterou a defesa da candidatura do senador ao governo de Minas e ambos firmaram compromisso de manter contato diário sobre o tema.

O presidente chegou a convidar o senador para integrar a comitiva em missão oficial à Índia e à Coreia do Sul, com retorno previsto para domingo (22). Pacheco, no entanto, recusou o convite para passar o feriado com a família, sob a avaliação de que, caso confirme a candidatura, este pode ter sido o último período de descanso sem interferência do calendário eleitoral.

Paralelamente, o senador discute não apenas a eventual candidatura, mas também a definição partidária entre MDB e União Brasil. A tentativa é estruturar um arco de alianças de centro e centro-esquerda.

No plano estadual, Pacheco emplacou o deputado federal Rodrigo de Castro para a presidência do União Brasil em Minas. Apesar disso, abriu negociações com o MDB diante da ausência de garantia de que, no cenário nacional, o União Brasil apoiará Lula na disputa à reeleição.

A avaliação em Minas é de que o grupo de Pacheco alcançou o objetivo de afastar a federação entre União Brasil e PP do campo de apoio ao vice-governador Mateus Simões (PSD). No entanto, o cenário nacional impõe condicionantes distintos.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preside o PP, legenda federada ao União Brasil. Como a federação exige atuação conjunta nas eleições, a configuração pode levar os partidos a apoiar uma candidatura alinhada ao bolsonarismo na disputa presidencial.

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