Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) avaliam que um episódio das eleições de 2018 é um dos fatores que levam o parlamentar a adiar, desde então, decisões sobre o futuro político. A postura, tratada pelo entorno como “cautela”, gera ansiedade entre integrantes do próprio grupo político.
Desde o ano passado, parlamentares próximos a Pacheco aguardam que ele defina para qual partido irá migrar, para então acompanhá-lo, e, principalmente, se será ou não candidato ao governo de Minas Gerais, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas eleições deste ano.
Aliados relatam que, para o senador, na política, o ditado “quem chega primeiro bebe água limpa” não se aplica. Pelo contrário. A avaliação remonta a um episódio de agosto de 2018, quando então filiado ao antigo Democratas, o nome dele foi referendado em convenção partidária para disputar o comando do estado.
Um dia depois, contudo, anunciou a desistência. Um acordo nacional entre DEM e PSDB retirou a candidatura de Pacheco ao governo, o levou a disputar o Senado e apoiar o nome do hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia (PSDB), que concorria ao Palácio Tiradentes.
Na época, o senador afirmou que abriu mão de um sonho para fortalecer a coligação em nome do Brasil e de Minas. Aliados relatam que o episódio resultou em ao menos duas posturas adotadas desde então: a demora nas decisões e o fato de passar a tratar as questões em âmbito nacional, e não apenas estadual.
Compasso de espera
O grupo político de Pacheco passou a buscar outras opções de legenda desde outubro do ano passado, quando o PSD avalizou a chegada do vice-governador e pré-candidato ao governo de Minas, Mateus Simões, à sigla. O movimento expôs um racha interno.
Nesse contexto, as conversas também ficaram temporariamente paralisadas diante da expectativa de o senador ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou destinada ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Depois disso, Pacheco passou a mencionar publicamente a possibilidade de deixar a vida política, e aliados chegaram a iniciar articulações individuais em busca de outras siglas, sobretudo os parlamentares com mandato que precisam realizar a transição durante a janela partidária, prevista para mês que vem.
Momento atual
Pacheco se reuniu com Lula no Palácio do Planalto na última semana. Na ocasião, conforme mostrou o O Fator, o petista reiterou a defesa da candidatura do senador ao governo de Minas e ambos firmaram compromisso de manter contato diário sobre o tema.
O presidente chegou a convidar o senador para integrar a comitiva em missão oficial à Índia e à Coreia do Sul, com retorno previsto para domingo (22). Pacheco, no entanto, recusou o convite para passar o feriado com a família, sob a avaliação de que, caso confirme a candidatura, este pode ter sido o último período de descanso sem interferência do calendário eleitoral.
Paralelamente, o senador discute não apenas a eventual candidatura, mas também a definição partidária entre MDB e União Brasil. A tentativa é estruturar um arco de alianças de centro e centro-esquerda.
No plano estadual, Pacheco emplacou o deputado federal Rodrigo de Castro para a presidência do União Brasil em Minas. Apesar disso, abriu negociações com o MDB diante da ausência de garantia de que, no cenário nacional, o União Brasil apoiará Lula na disputa à reeleição.
A avaliação em Minas é de que o grupo de Pacheco alcançou o objetivo de afastar a federação entre União Brasil e PP do campo de apoio ao vice-governador Mateus Simões (PSD). No entanto, o cenário nacional impõe condicionantes distintos.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preside o PP, legenda federada ao União Brasil. Como a federação exige atuação conjunta nas eleições, a configuração pode levar os partidos a apoiar uma candidatura alinhada ao bolsonarismo na disputa presidencial.