A possibilidade de deixar Israel pela fronteira terrestre com a Jordânia divide políticos brasileiros que estão retidos na cidade israelense de Kfar Saba desde o início da guerra aérea com o Irã, na quinta-feira (12). Enquanto parte da comitiva aceitou a ideia de deixar o país por meio da saída rumo à Jordânia, outros temem os riscos do deslocamento viário. Entre os que pretendem ficar em solo israelense está o vice-prefeito de Uberlândia, Vanderlei Pelizer (PL).
A O Fator, Pelizer disse, neste domingo (15), que pretende, ao menos por ora, aguardar a reabertura do espaço aéreo em Israel
“Estamos fazendo a opção por ficar por uma questão de entendimento racional. Viemos para retornar na sexta-feira (dia 20). Pode ser que o espaço aéreo volte a funcionar no início da semana que vem. Então, entendemos que não vale a pena se arriscar agora”, afirmou, informando que outros representantes da delegação brasileira tiveram a mesma avaliação.
Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel do Congresso Nacional, o senador mineiro Carlos Viana (Podemos) disse à reportagem que 13 brasileiros retidos em Israel deixarão o local pela fronteira com a Jordânia nesta segunda (16).
“O acordo foi fechado hoje (domingo). O governo de Israel se prontificou a fazer a escolta. É bem provável que amanhã, às 7h30, tenhamos os primeiros deslocamentos. São 13 pessoas, no total, para a volta ao Brasil”, pontuou.
A reportagem pediu à equipe de Viana os nomes do grupo que deve deixar Israel por meio da divisa com a Jordânia. Segundo Vanderlei Pelizer, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), e a vice-prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), sinalizaram que podem se somar à comitiva que vai sair por terra. O grupo está em Kfar Saba, cidade que fica nas proximidades da capital Tel Aviv.
“Alguns querem sair imediatamente. Tem um grupo de pessoas disposto a fazer esse deslocamento até uma fronteira – seja Egito e Jordânia, que parece ser a mais viável e mais próxima. Esse trajeto até a Jordânia é o mais factível. Ocorre que existem vozes dissonantes, no sentido de entender que não somos daqui. Somos convidados pelo governo de Israel. Entendemos que o governo de Israel tem o domínio da situação do ponto de vista de informações”, assinalou o vice-prefeito de Uberlândia.
Embora Pelizer tenha dito que, neste momento, não pretende fazer a travessia por terra, ele garantiu que pode mudar de opinião em caso de novos contornos no conflito Israel-Irã.
“Amanhã ou mesmo à noite, pode ser que o cenário mude porque, talvez, o risco valha a pena”, explicou.
A comitiva brasileira tem se revezado entre os quartos do complexo universitário que os hospeda e um bunker. Em parte do dia, há palestras com temas ligados à segurança.
“O risco existe de uma forma ou de outra. Estamos em guerra. Aqui, tenho um abrigo. No deslocamento, não tenho abrigo. O trânsito está acontecendo de forma reduzida. Não me parece muito viável fazer (a travessia) neste momento. Pode ser que, na sexta-feira, prazo (inicial) para a gente retornar, comecemos a pensar em outras alternativas”, completou Pelizer.
