PL articula apoio da federação União Brasil-PP para isolar Rodrigo Pacheco em Minas

Estratégia do partido envolve busca por palanque competitivo em Minas e negociação com partidos de centro
Na foto, Valdemar Costa Neto, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira
Encontro com Flávio Bolsonaro também serviu para orientar deputados e senadores a iniciar agendas de pré-campanha. Foto: PL no Congresso Nacional / Divulgação

Uma das resoluções da reunião entre o pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a bancada do PL no Congresso Nacional foi a definição de que o parlamentar atuará pessoalmente para buscar o apoio da federação formada por União Brasil e PP em âmbito nacional e que essa estratégia também deve ser replicada em Minas Gerais.

A articulação tem como objetivo afastar a possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) se filiar ao União Brasil ou obter o apoio da aliança partidária em uma composição mais ampla de centro. Como mostrou O Fator, caso decida disputar o governo mineiro e se filie a outro partido, como o MDB, o senador tem o intuito de “puxar” a federação.

Se disputar o pleito, Pacheco deve fazer palanque para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. E, mesmo se decidir ficar de fora da corrida eleitoral, o parlamentar afirma publicamente que não pretende apoiar candidatura de direita ao Palácio do Planalto. Em outra ponta, o objetivo do PL é desgastar a imagem do petista.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o partido não pretende abrir mão de um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país. Nesse contexto, as tratativas incluem a busca por partidos de centro para compor uma aliança e evitar que essas legendas se coliguem com Lula ou deixem candidatos aos governos estaduais independentes para definir a quem darão palanque.

Em Minas a avaliação é de que o PP está mais alinhado ao projeto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Já o União Brasil tem, atualmente, no comando estadual o deputado federal Rodrigo de Castro, que assumiu o posto no último mês após articulação do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD) e do presidente do Congresso Nacional, Davi Acolumbre (União Brasil).

Como mostrou O Fator, o principal objetivo da movimentação foi afastar a federação ou, ao menos, desorganizar partidos que o vice-governador e pré-candidato ao governo do estado, Mateus Simões (PSD), já tratava como certos em uma futura coligação. Em outubro, o PSD avalizou a filiação de Simões à sigla, o que levou Pacheco e aliados a buscarem outro caminho

Por esse motivo, a articulação passou a ser classificada como “reparação” por aliados do senador. A investida, contudo, não garantiu a filiação do ex-presidente do Congresso Nacional ao União Brasil. Ele, inclusive, abriu negociações com o MDB diante da ausência de garantia de que, no cenário nacional, a sigla apoiará Lula na disputa à reeleição ou deixará os candidatos independentes.

Em busca de apoio

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Jair Bolsonaro, preside o PP, legenda federada ao União Brasil. Como a federação exige atuação conjunta nas eleições, a configuração pode levar os partidos a apoiar uma candidatura alinhada ao bolsonarismo na disputa presidencial. E é para isso que Flávio vai trabalhar e escalou nomes em Minas para que o mesmo seja replicado no estado.

A ideia é que nomes como os deputados federais Nikolas Ferreira e Domingos Sávio, presidente da legenda em Minas, atuem para aproximar a federação do PL no estado. Uma das avaliações é a de que, no plano nacional, o União Brasil tem direcionamento à direita e que Rodrigo de Castro teria que seguir a decisão da direção em Brasília, além de ser visto como mais alinhado a esse campo político do que de Lula. 

Xadrez em Minas 

O PL ainda se encontra em um cenário indefinido quando se trata da escolha de um nome para disputar o governo estadual nas eleições deste ano. A legenda avalia candidaturas próprias e também estuda possíveis coligações com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ou com Mateus Simões. Um dos postos a serem oferecidos ao União Brasil seria, inclusive, de vice. 

Mas uma eventual aliança com Simões, embora incentivada por Nikolas, enfrenta resistência ligada ao posicionamento de Flávio. No estado, Simões servirá de palanque para o governador Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato ao Palácio do Planalto. Para tentar mudar esse quadro, foi oferecido a Zema o posto de vice numa chapa nacional do PL. Ele, contudo, não deu indicativo de que irá recuar

Campanha para Flávio

A reunião da bancada do PL em Brasília com Flávio Bolsonaro também serviu para orientar deputados federais e senadores a iniciarem a pré-campanha em favor do filho 01 de Bolsonaro e a organizarem agendas e visitas a diferentes localidades para ampliar a presença política e a capilaridade do projeto. 

Flávio e Nikolas também se reuniram de forma reservada e apararam arestas após declarações de Eduardo Bolsonaro de que o deputado federal não apoiaria a candidatura do PL ao Palácio do Planalto. No encontro, houve gestos públicos de apoio, e Nikolas afirmou que vai atuar para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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