A Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG) comemorou, na semana passada, em postagem no Instagram, o recebimento de um selo de boas práticas em recursos humanos. A avaliação, feita pela empresa Top Employers, é fruto de um contrato previsto para custar R$ 295,5 mil aos cofres estaduais até 2027.
Uma consulta feita por O Fator junto ao Portal da Transparência estadual mostra que o acordo com a Top Employers foi fechado por inexigibilidade de licitação. A assinatura aconteceu em maio do ano passado.
A Fazenda foi uma das 75 organizações — públicas e privadas — a receber o selo da Top Employers no início deste ano. Na lista, estão empresas como o Banco do Brasil, a B3, a Nestlé e a Scania.
Em seu site, a Top Employers diz que o processo de certificação acontece por meio do envio de um questionário às entidades interessadas em receber a comenda. O documento, com perguntas a respeito de áreas consideradas estratégicas para as relações interpessoais nas organizações, é verificado por um consultor de RH. Não há entrevistas com profissionais das empresas.
“A fase de validação das respostas à Pesquisa de Melhores Práticas de RH é um componente essencial do nosso processo de Certificação. Cada empresa recebe um Auditor de RH para verificar a precisão das informações fornecidas. O objetivo desta etapa é verificar se as políticas estabelecidas estão sendo aplicadas de forma consistente, resolver ambiguidades e corrigir quaisquer erros. Este processo rigoroso garante que a pesquisa forneça uma visão clara e precisa das práticas de gestão de pessoas dentro da sua organização”, aponta a companhia, ao explicar a metodologia utilizada.
Procurada pela reportagem, a pasta afirmou que o contrato foi fechado por causa da “necessidade estratégica de submeter os processos de gestão de pessoas da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais a uma avaliação isenta, estruturada e alinhada às melhores práticas de mercado”
“A contratação tem como finalidade principal a obtenção de reconhecimento e credibilidade institucional, uma vez que a certificação atesta a adoção de boas práticas de gestão de pessoas alinhadas a padrões globais, abrangendo temas como atração e desenvolvimento de talentos, bem-estar, diversidade, liderança e engajamento. Outro aspecto relevante é o diagnóstico aprofundado dos processos de RH, realizado por meio de uma avaliação detalhada que identifica pontos fortes e oportunidades de melhoria, permite benchmarking com organizações do mesmo setor e subsidia decisões estratégicas voltadas à modernização da área”, justificou.
Embates e críticas
A certificação foi concedida pela Top Employers em meio a recorrentes embates públicos entre a secretaria comandada por Luiz Cláudio Gomes e entidades que representam categorias ligadas à Fazenda estadual. Auditores fiscais chegaram a organizar protestos no ano passado apontando defasagem salarial.
Segundo o painel “Observatório das Evasões”, atualizado por auditores fiscais, 106 servidores da categoria solicitaram exoneração desde janeiro do ano retrasado. Considerando aposentadorias, o número de saídas sobe para 186.
De acordo com a Secretaria de Fazenda, o contrato com a Top Employers “não se limita à obtenção de um selo”. A pasta informou que o acordo representa “instrumento estratégico de avaliação, posicionamento institucional e fortalecimento da cultura organizacional”.
Aproveitamento de 87%
A Top Employers avalia a pasta ininterruptamente desde 2023. Também houve uma medição em 2020. Em todas as edições, a pasta obteve aproveitamento acima de 65% no questionário. Neste ano, o índice ficou em 87,39%.
Ainda conforme a Fazenda, os relatórios elaborados pela consultoria deram origem a políticas internas de aprimoramento do setor, como a criação de métricas para o bem-estar dos funcionários, a realização de treinamentos sobre o Código de Ética e a execução de programas de desenvolvimento individual e de surgimento de novas lideranças.
Ao comentar a escolha pela inexigibilidade de licitação, o Executivo estadual apontou que o método não foi escolhido por inviabilidade de competição, mas “porque não existe parâmetro ou critério objetivo para se escolher uma outra solução por se tratar de atendimento a necessidades peculiares da Administração”.
“O processo de certificação do Top Employers, uma autoridade global na avaliação do ambiente profissional que as organizações oferecem a seus funcionários, envolve uma análise integral e rigorosa das práticas de gestão de pessoas e seu impacto na organização como um todo (estratégia e resultados) e no engajamento, atração e desenvolvimento de talentos”, pontuou.
