Sigma Lithium volta a operar após ter recurso aceito por desembargadora

Mineradora, por outro lado, carrega decisões desfavoráveis na Justiça estadual, Justiça do Trabalho e ANM
Produção de litio em MG
Complexo minerário da Sigma Lithium em Araçuaí. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

A Sigma Lithium enviou um comunicado a seus investidores, nesta terça-feira (6), em que diz ter retomado suas operações nas cidades de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha. A empresa havia, na semana passada, suspendido os trabalhos, após ter sido notificada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) sobre a suspensão de suas licenças provocada por decisão judicial.

Como O Fator noticiou na última quinta-feira (1º), uma desembargadora federal reformou decisão anterior da primeira instância e restabeleceu três licenças ambientais da Sigma que autorizam a empresa a extrair e beneficiar minério de lítio.

Ainda é incerto se a Feam já restabeleceu as licenças após a decisão, mas a mineradora decidiu se antecipar. No comunicado desta terça, a Sigma afirma que aumentou sua confiança em produzir 330 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio até o final de 2027 – a empresa não divulgou o teor do minério a qual se refere na projeção.

A projeção, afirma a mineradora, não exigirá a ampliação das atuais estruturas. A explicação é importante, porque, na decisão da semana passada, a desembargadora manteve suspensa a licença que permitia à empresa mais que triplicar a capacidade de beneficiamento do minério e ainda proibiu o governo de Minas de conceder novas licenças para ampliar o complexo até que uma perícia defina a distância entre a mina e o território da Comunidade Quilombola do Baú.

“Como um importante motor de desenvolvimento econômico na região, a Sigma Lithium gerou 19 mil empregos diretos e indiretos, sustentando cerca de 80 mil familiares em 12 municípios da região — abrangendo não apenas as operações da empresa, mas também sua cadeia de suprimentos local e os participantes de seus programas abrangentes de transformação social”, diz no comunicado.

No texto, a mineradora também comemorou as eleições estaduais disse que “os resultados são promissores para o contínuo desenvolvimento econômico da indústria de lítio no Vale do Jequitinhonha”. A CEO da Sigma, Ana Cabral, foi uma das doadoras de campanha do atual governador, Mateus Simões (PSD), que ficou em quarto lugar nas eleições.

“Após os resultados claros favoráveis ​​à indústria do lítio nas eleições estaduais e regionais, espera-se que os candidatos à presidência sigam a mensagem transmitida pelos eleitores”, diz. “Portanto, acreditamos que as adversidades enfrentadas pelas atividades da Companhia diminuirão, visto que muitas vezes eram motivadas por ações — frequentemente de cunho partidário — de grupos locais e fiscais.”

Outras decisões

Apesar da decisão favorável na Justiça Federal, a Sigma foi alvo nas últimas semanas de decisões contrárias na Justiça estadual e na Justiça do Trabalho.

Na primeira, um juiz estadual aceitou, na última segunda-feira (28), pedido do Ministério Público de Minas Gerais e fixou multa à empresa por descumprimento de decisão que obrigava a empresa a garantir acesso viário a moradores de uma comunidade próxima ao complexo. Na ocasião, o magistrado deu 15 dias à Sigma para responder sobre pedidos dos procuradores referente à suspensão das licenças da empresa.

Já na segunda, no início de setembro, um juiz recusou pedidos da Sigma e manteve decisão do Ministério do Trabalho e Emprego que interditou pilhas de rejeito e estéril da empresa.

Além disso, na semana passada a Agência Nacional de Mineração (ANM) interditou parte da área de lavra da Sigma “em face da comprovação de risco iminente”. Segunda a agência, a interdição só será revista após a “conclusão das obras de reconformação do talude leste da Cava Norte eliminando-se por completo o trecho rompido, bem como a implantação de um sistema de drenagem no talude leste que evitem a reincidência de rupturas similares no futuro nesse talude”.

No comunicado desta terça, a mineradora afirmou que a interdição, por parte da ANM, não paralisa todas as suas atividades de mineração em curso, uma vez que, segundo a mineradora, não há operações na Cava Norte.

“A Sigma Lithium também classifica como categoricamente incorretas as reportagens que especulam sobre as condições de segurança de suas operações. A Companhia detém um dos melhores históricos de segurança do mundo, com mais de 1.100 dias sem acidentes com afastamento”, diz.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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