A corrida pelo Senado em Minas já dá sinais de ter começado. Durante discurso na agenda presidencial desta quarta-feira (4), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), lançou uma indireta ao senador Carlos Viana (Podemos). Em 2026, Viana deve tentar a reeleição, enquanto Silveira trabalha para ocupar a cadeira.
Silveira esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento do programa “Gás do Povo”, no Aglomerado da Serra, na zona Sul de Belo Horizonte. No discurso, relembrou sua passagem pelo Senado como relator de um substitutivo da Lei Paulo Gustavo e, sem mencionar nomes, fez uma referência indireta a Viana.
O ministro disse que, à época, sofreu pressões de um senador de direita de Minas, que o alertava sobre possível perda de votos entre evangélicos caso não retirasse do texto o nome de Paulo Gustavo e as garantias de participação da comunidade LGBTQIA+. Ele lembrou que esse debate chegou a ser tratado em rede nacional.
“Naquela época eu me lembro muito bem das pressões que eu sofri de um senador de direita mineiro, que dizia que eu perderia votos de evangélicos nas eleições se eu não tirasse da Lei Paulo Gustavo o nome ‘Paulo Gustavo’ e o direito da comunidade LGBTQIA+ de fazer parte da lei. Isso, inclusive, foi um debate na Globo”, falou.
“E eu disse para ele que se dependesse de eu não respeitar a diversidade, de não respeitar o ser humano, eu jamais tiraria e eu mantive os direitos da comunidade LGBTQIA+ e mantive o nome Paulo Gustavo para poder fortalecer a cultura brasileira”, disse Silveira à plateia, em tom de pré-campanha para 2026.
Suplente do então senador Antonio Anastasia, o ministro assumiu o mandato em fevereiro de 2022, após a saída do titular para integrar o Tribunal de Contas da União (TCU), e permaneceu na Casa até dezembro daquele ano. Nesse período, dividiu a bancada mineira com Rodrigo Pacheco (PSD), aliado histórico e colega de partido, além de Viana.
Ainda em 2022, Silveira disputou uma vaga no Senado por Minas Gerais, mas acabou derrotado por Cleitinho (Republicanos). Na eleição do próximo ano, duas cadeiras estarão em disputa pelo estado, e o ministro espera contar com o apoio do presidente Lula para lançar sua candidatura. Viana, por sua vez, diz que tentará a reeleição.
Aprovada em novembro de 2021, a Lei Paulo Gustavo voltou à pauta do Senado em março de 2022, por meio de um substitutivo da Câmara que foi relatado na Casa por Silveira. Na ocasião, reincluiu a população LGBTQIA+ entre os grupos cuja participação deveria ser assegurada nos projetos financiados.
Viana foi a favor da lei
Segundo registros do Senado, Viana votou a favor da Lei Paulo Gustavo em quatro ocasiões: na aprovação do texto original em 2021; no substitutivo relatado em março de 2022; na derrubada do veto do ex-presidente Jair Bolsonaro em julho daquele ano; e, posteriormente, na proposta que prorrogou o prazo de execução dos recursos pelos entes federativos até dezembro de 2024.