Tarcísio avalia risco de candidatura presidencial e reforça aproximação com governador de direita

Interlocutores apontam que Tarcísio prefere consolidar base em São Paulo enquanto a direita segue dividida e Lula mantém vantagem
Tarcísio, Zema e Ratinho
Governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas; de Minas, Romeu Zema; e do Paraná, Ratinho Junior, em evento em São Paulo. Foto: Fernando Santos/Governo de SP/Divulgação

Entre o vai e vem sobre uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência da República em 2026, aliados do governador de São Paulo reconhecem que a possibilidade de ele entrar na disputa tem perdido força. No entorno político, a avaliação é de que uma candidatura nacional seria arriscada no cenário atual.

Contam ainda que, hoje, ele estaria disposto a apoiar o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que aparece em uma articulação conduzida pelo secretário de Governo e Relações Institucionais do governo paulista, Gilberto Kassab, que também preside o PSD nacionalmente.

A leitura é de que Kassab, que tem trânsito entre os principais partidos do centrão, vem atuando para aproximar Ratinho de lideranças políticas de diferentes estados, em um movimento que pode servir de base para uma candidatura de centro-direita, caso Tarcísio decida permanecer em São Paulo.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), segue sendo avaliado nesse grupo e tem procurado manter contato com Tarcísio, mas aliados próximos afirmam que hoje o paulista teria mais confiança no paranaense. Zema se reuniu com Kassab na última semana, já que a filiação do vice-governador do estado, Mateus Simões (Novo), ao PSD é considerada certa.

Segundo fontes do Republicanos, o desânimo de Tarcísio com uma eventual disputa nacional está diretamente ligado ao cenário político. A avaliação é de que a própria direita fortaleceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tanto pela condução de temas polêmicos, como a PEC da Blindagem, quanto pelas reações desastradas ao chamado “tarifaço”.

Entre aliados do campo, há uma autocrítica de que não souberam aproveitar crises que eles mesmos provocaram, como as discussões sobre o aumento dos preços dos alimentos e das tarifas.

Erros de comunicação e disputas internas entre aliados e familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também são apontados como fatores que contribuíram para a recuperação da popularidade do governo federal.

Popularidade de Lula

A percepção é que Lula já havia conseguido vencer Bolsonaro nas eleições de 2022 sem estar no poder, e que, agora, com a máquina pública nas mãos e um conjunto de programas sociais sendo reforçado, a chance de reeleição é vista como elevada.

Interlocutores afirmam ainda que Tarcísio vem dizendo a aliados que não pretende “trocar o certo pelo duvidoso”, em referência à reeleição em São Paulo, vista como praticamente garantida, diante da boa avaliação de sua gestão e da falta de adversários fortes no estado.

Outro ponto que pesa é a fragmentação do campo bolsonarista. A família do ex-presidente Jair Bolsonaro tem demonstrado resistência ao nome de Tarcísio. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro já se movimentam com intenções de disputar o Planalto, o que gera constrangimento e incertezas dentro do grupo.

Além disso, Bolsonaro vive uma situação jurídica complicada depois de ser condenado a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem uma nova liderança consolidada, ele evita passar o bastão, com receio de perder espaço político num momento em que já está enfraquecido.

“Ele não fechou a porta para 2026, mas no cenário de hoje ele não pretende entrar em uma disputa nacional com a direita dividida, Lula fortalecido e sem saber se contará ou não com o apoio do Bolsonaro, além da confusão da família. A prioridade então fica sendo consolidar o projeto em São Paulo para um futuro mais favorável”, resume um aliado.

Leia também:

Roteiro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro prevê foco em Minas, Rio e São Paulo

Os empreendimentos de transmissão em Minas confirmados para leilão no fim de março

O motivo da menção a Carlos Viana nas anotações de Flávio Bolsonaro

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse