TCE determina que Fhemig se abstenha de assinar contrato de cessão do Amélia Lins

Liminar da Corte de Contas diz que acordo com consórcio só pode ser oficializado após tribunal analisar documentos
O Hospital Amélia Lins
O Hospital Maria Amélia Lins. Foto: Alexandre Netto/ALMG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) expediu, nesta quarta-feira (2), uma decisão liminar que obriga a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) a se abster, temporariamente, de assinar o contrato de cessão do Hospital Maria Amélia Lins, em Belo Horizonte. O edital aberto pela Fhemig para encontrar um novo administrador para a casa de saúde foi vencido pelo Consórcio Instituição de Cooperação Intermunicipal do Médio Paranaíba (Icismep). 

A liminar defende que a assinatura só aconteça após a Corte de Contas analisar os termos da concorrência. A decisão é assinada pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão. 

No documento, Mourão diz que a publicação da ata oficializando a vitória do Icismep evidencia que o edital sobre o Amélia Lins será concluído “sem que os estudos utilizados para justificar o certame sejam apreciados em análise meritória”.

Em outro trecho da decisão, o conselheiro afirma que “no atual estágio processual, não há documentação fundamental para comprovação da conformidade do certame aos requisitos legais”.

O entendimento é fruto de uma representação assinada pelo vereador belo-horizontino Pedro Rousseff (PT). Na reclamação enviada ao TCE, ele aponta ausência de participação do Conselho Estadual de Saúde (CES) nos debates sobre os rumos do Amélia Lins. 

Empresa investigada

A liminar de Licurgo Mourão aponta a presença do Icismep como réu em ao menos cinco ações de controle movidas pelo TCE. 

“Ressalte-se que, em relação a atuação do Icismep no período de janeiro de 2020 a 2022, em outra ação de controle deflagrada por esta Corte de Contas, sob apreciação do Conselheiro Agostinho Patrus (processo TC 1.135.296, peça 67), a Coordenadoria de Auditoria de Consórcios e Terceiro Setor – CACTS apontou irregularidades quanto à prestação de serviços médicos por parte da referida entidade”, afirmou o conselheiro.

De acordo com Mourão, a ação em questão apontou falhas que incluem, por exemplo:

  • Não obediência às normas legais na contratualização com municípios;
  • Apropriação indevida de descontos e cobranças;
  • Subcontratação indevida de serviços médicos;
  • Falhas no controle e avaliação dos serviços contratados.

O edital

Formado por prefeituras da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Icismep venceu outras oito entidades no pregão aberto pela Fhemig. Entre os concorrentes, estavam o Hospital Felício Rocho e a Santa Casa de Misericórdia.

O Hospital Maria Amélia Lins tem, como carro-chefe, o atendimento a pacientes ortopédicos. Casos ligados à traumatologia também costumam ser encaminhados à unidade. O local compõe o complexo hospitalar encabeçado pelo Hospital João XXIII.

Em dezembro do ano passado, o bloco cirúrgico do Amélia Lins foi fechado. A expectativa é que o setor seja reaberto neste mês.

O Fator procurou a Fhemig por e-mail para obter comentário a respeito da decisão. A Fundação, em comunicado conjunto com a Advocacia-Geral do Estado (AGE), informou não ter sido notificada oficialmente da decisão. A AGE disse ainda que vai se manifestar nos autos processuais do caso.

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