TRE marca recontagem de votos das chapas de vereadores cassados em BH

Lucas Ganem, eleito pelo Podemos e hoje no MDB, e Leonardo Ângelo (Cidadania) tiveram a nulidade de seus votos decretada
Sessões serão realizadas no final deste mês. Foto: Divulgação/TRE

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) convocou, para 29 de outubro, os atos de reprocessamento dos votos obtidos pelas chapas do Podemos e da federação PSDB-Cidadania nas eleições de Belo Horizonte em 2024.

Os votos de Lucas Ganem, eleito pelo Podemos e hoje no MDB, e Leonardo Ângelo (Cidadania) foram declarados nulos após a decisão da Justiça Eleitoral pela cassação dos dois parlamentares. Os embargos de declaração apresentados por ambos foram rejeitados pela Corte.

No pleito de 2024, o Podemos conquistou três cadeiras na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Além de Ganem, foram eleitos José Ferreira e Juliano Lopes. Já a federação PSDB-Cidadania ficou com apenas uma vaga.

Se depois da recontagem dos votos, as duas chapas mantiverem o quociente eleitoral necessário para preservar o número de representantes originalmente eleitos, Rubem de Oliveira Rodrigues, o Rubão (Podemos), e Reinaldo de Oliveira Baptista, o Reinaldinho (PSDB), primeiros suplentes nas duas nominatas, assumirão os mandatos.

Rubão e Reinaldinho são os autores dos processos que resultaram nas cassações de Lucas Ganem e Leonardo Ângelo.

Fraude em domicílio

Ao registrar sua candidatura, Ganem informou à Justiça Eleitoral que morava em um imóvel no Trevo, bairro da Pampulha. Em depoimento à Polícia Federal (PF), o dono da residência, Grijalva Duarte, disse ter emprestado o endereço apenas para o recebimento de correspondências.

Fernanda Duarte, esposa de Grijalva, informou à corporação que não conhecia Ganem durante a campanha eleitoral de 2024.

Em maio deste ano, o vereador admitiu, durante audiência de uma comissão instaurada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para analisar a possibilidade de cassação, que se mudou para a cidade mais de um mês após se eleger vereador.

O processo acabou arquivado sem ir ao plenário em julho deste ano, após uma série de interrupções judiciais. No mês passado, Juliano Lopes, na condição de presidente da Câmara, admitiu a segunda denúncia contra o vereador.

Nos embargos, a defesa de Ganem afirmou que, ao apontar fraude, o TRE ignorou a atuação comunitária do parlamentar na capital. Ainda conforme os advogados, o emedebista teve a transferência de domicílio eleitoral homologada pela Justiça Eleitoral sem impugnação dentro do prazo legal. Por isso, sustentam, a questão não poderia mais ser contestada por meio de uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), instrumento usado por Rubão para levar a questão à Corte.

Na petição, a banca voltou a invocar o conceito de “domicílio eleitoral amplo”, invocado ao longo da análise do caso por parte da comissão processante na Câmara.

“Embora tenha atribuído relevo à ausência de residência, deixou de enfrentar os elementos concretamente invocados pela defesa relativos à atuação social e comunitária do Embargante em Belo Horizonte, especialmente sua atuação na causa animal e na defesa das pessoas com transtorno do espectro autista, sem esclarecer por que tais circunstâncias não configurariam vínculo social ou comunitário apto a justificar a escolha do Município”, escreveram.

Contratos com outra chapa

No caso de Leonardo Ângelo, a Justiça Eleitoral confirmou a identificação de uma estrutura de campanha paralela financiada pela candidatura majoritária de Mauro Tramonte (Republicanos) que teria atuado de forma decisiva a seu favor.

Segundo a decisão, a engrenagem contou com pelo menos sete coordenadores regionais e mais de 200 apoiadores.

Os coordenadores de campanha confirmaram em juízo que receberam valores de R$ 9 mil pela campanha majoritária para promover a candidatura do vereador. Uma das testemunhas relatou que a justificativa apresentada foi de que a eleição majoritária já estaria “garantida” no 2° turno.

Mensagens de WhatsApp juntadas ao processo mostram o próprio Leonardo Ângelo afirmando a um coordenador que “o Mauro vai bancar um número interessante de liderança para nós”. As provas digitais foram validadas por atas notariais e confirmadas pelos depoimentos testemunhais.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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