TRF-6 reintegra Contagem em ação sobre impacto do Rodoanel em quilombolas

Decisão reconheceu que Contagem possui interesse jurídico na ação, não apenas pela localização das comunidades quilombolas
Ação civil pública foi iniciada pela Federação dos Quilombolas contra o estado de Minas Gerais. Foto: Luci Sallum/PMC

O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) decidiu por unanimidade, nesta terça-feira (8/4), reintegrar o município de Contagem na ação civil pública que discute os impactos da construção do Rodoanel Metropolitano em comunidades quilombolas. A decisão reverte determinação anterior de 8/11/2024, quando o município havia sido excluído do processo a pedido do estado de Minas Gerais.

Com a decisão, Contagem volta a participar oficialmente na defesa das 72 comunidades quilombolas identificadas em seu território. A 3ª turma do TRF6 destacou a necessidade da participação do município na proteção dessas comunidades tradicionais.

A ação civil pública foi iniciada pela Federação dos Quilombolas contra o estado de Minas Gerais, a empresa Rodoanel S/A e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Contagem havia solicitado integrar o processo por entender sua relevância na questão.

O principal questionamento da Federação dos Quilombolas e de Contagem é que o estado iniciou o licenciamento ambiental para a obra sem consultar as comunidades quilombolas, especialmente a dos Arturos, que será a mais afetada pelo empreendimento.

A procuradora municipal Bárbara Brasil argumentou sobre a necessidade de consulta às comunidades conforme estabelecido na Convenção Nº 169 da Organização Internacional do Trabalho. “Para a implantação de empreendimentos de grande impacto, como é o caso do rodoanel, é necessária a realização de consulta livre, prévia, informada e de boa fé às comunidades atingidas diretamente pela obra, o que não está sendo feito”, afirmou.

A decisão judicial reconheceu que Contagem possui interesse jurídico na ação, não apenas pela localização das comunidades quilombolas em seu território, mas também por suas atribuições de identificar e delimitar áreas ocupadas por essas comunidades, proteger sua identidade territorial e estabelecer mecanismos de proteção histórico-cultural.

João Pio, superintendente de Políticas para a Igualdade Racial de Contagem, afirmou que a decisão fortalece a defesa das comunidades quilombolas. “Ganhamos mais força neste processo, na luta em relação ao rodoanel, que vai impactar a todos. Abre também um importante espaço para discutir o papel dos municípios na garantia dos direitos das comunidades tradicionais e dos povos originários”, declarou.

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