Trump classifica facção da Venezuela parceira do PCC como terrorista

Trem de Arágua tem presença em Roraima e é conhecida por políticos e policiais no estado
Donald Trump assina decreto
Donald Trump assinando decretos: quadrilha da Venezuela como terrorista. Reprodução/Casa Branca/YouTube

O presidente Donald Trump classificou a quadrilha venezuelana Trem de Arágua como terrorista em decreto assinado no Salão Oval na noite desta segunda (20), seu primeiro dia no novo mandato.

Nos termos do decreto, o Secretário de Estado, chefe da diplomacia americana, deverá emitir em até 14 dias recomendação sobre quais cartéis mexicanos e outras quadrilhas devem ser classificadas como terroristas. A Trem de Arágua é citada nominalmente.

Em discurso na Capital One Arena agora à noite, antes de chegar à Casa Branca, Trump disse que “a criminalidade caiu 74% na Venezuela porque pegaram os criminosos deles e deram para a gente”.

A Trem de Arágua e outras facções da Venezuela têm presença em Roraima. Segundo pesquisa do Ipea, essas quadrilhas “teriam penetrado em Roraima em meio ao acirramento da crise imigratória, em 2019”, e são responsáveis por parte do aumento da violência no estado.

Facções como o PCC e grupos venezuelanos aproveitaram-se da omissão de autoridades nos garimpos “para aumentar sua atuação na região”, conta a pesquisa.

Assim como o PCC, a Trem de Arágua nasceu em um presídio – o Centro Penitenciário do estado de Arágua, mais conhecido como “Casa Grande” ou Tocorón, nome do distrito do município de Zamora onde está situado. O Tocorón é a cadeia mais famosa da Venezuela.

Em setembro de 2023 o governo Maduro realizou uma intervenção para retomar o controle de Tocorón – Maduro diz que foram mais de 11 mil agentes. O líder da facção, Héctor Guerrero Flores, o ‘Niño Guerrero’, escapou e permanece foragido. O Departamento de Estado dos EUA oferece US$ 5 milhões por informações que levem à sua prisão.

A jornalista venezuelana Ronna Rísquez cita em seu livro El Tren de Aragua – La banda que revolucionó el crimen organizado en América Latina um relatório de 2020 do Ministério Público de Roraima que “confirma a aliança entre o PCC e a Trem de Arágua”. O relatório contava 740 integrantes venezuelanos do PCC em Roraima.

“Soube-se que esta aliança consiste, entre outras coisas, na prestação de serviço de segurança da Trem de Arágua no transporte de drogas, no fornecimento de armas e prostitutas aos brasileiros, e na custódia dos garimpeiros atuantes em territórios indígenas da Venezuela, com financiamento do PCC”, acrescenta o livro.

Detentos da Trem de Arágua seriam responsáveis for fornecer armas ao PCC. “É aritmética básica. Enquanto na Venezuela essas armas são adquiridas pelos criminosos por 5.000 a 8.000 dólares, do outro lado da fronteira eles as vendem por até 20 mil dólares”, escreve a jornalista.

Em abril de 2024 o deputado federal Albuquerque (Republicanos-RR) participou de audiência pública na Câmara com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Na audiência, Albuquerque chamou a Trem de Arágua de “povo perverso, desumano, que trata com a mais perfeita crueldade os povos que eles submetem aos seus regimes lá”.

A Trem de Arágua já tinha sido classificada como “Organização Criminosa Transnacional significativa” pelo Departamento de Tesouro americano em julho, no governo Biden.

A nova classificação como terrorista tem três consequências legais:

• É crime uma pessoa nos EUA fornecer apoio material ou recursos a membros da organização;

• Representantes estrangeiros da organização não podem entrar nos EUA, e em certos casos podem ser expulsos;

• Instituições financeiras nos EUA com fundos da organização devem congelar esse dinheiro e relatá-lo ao Tesouro americano.

Procurados no começo da tarde por O Fator – horas antes de Trump assinar o decreto – o Ministério da Justiça, o Itamaraty e o governo de Roraima não comentaram.

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