Vereadores de BH querem posição da Câmara sobre colega investigado pela PF por suposta fraude em domicílio eleitoral

Possível abertura de um processo de cassação já se tornou tema frequente nos corredores da Casa Legislativa
lucas ganem
Parlamentar é alvo de ação na Justiça eleitoral. Foto: Dara Ribeiro/CMBH

Vereadores de Belo Horizonte defenderam, nesta terça-feira (11), que a Câmara Municipal (CMBH) se manifeste oficialmente sobre a investigação da Polícia Federal (PF) a respeito de suposta fraude ao domicílio eleitoral por parte de Lucas Ganem (Podemos), que cumpre o primeiro mandato na Casa.

Wagner Ferreira (PV), Osvaldo Lopes (Republicanos), Flávia Borja (DC) e Wanderley Porto (PRD) foram à tribuna do plenário tratar do tema. Ganem participou remotamente da sessão desta terça-feira.

“É até ruim falar isso na ausência dele (Ganem). Mas que ele tenha a hombridade, caso esteja na cidade, de vir à Câmara amanhã para se defender. Trata-se de uma pessoa que, pelo que se noticia, não pisou em BH antes da eleição do ano passado. Isso é fazer chacota com o povo de Belo Horizonte”, disse Porto.

O inquérito da PF teve origem em processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), iniciado a partir de reportagem de O Fator publicada em outubro de 2024. A matéria mostrou que Ganem era desconhecido dos sistemas oficiais de informação que compilam dados de moradores de Minas Gerais.

No material encaminhado à Justiça Eleitoral, a PF relata que uma equipe da corporação foi até a casa apontada como endereço de Ganem, no Trevo, bairro na região da Pampulha. A moradora do local, contudo, disse que o parlamentar jamais residiu ali. O parlamentar é natural de São Paulo (SP) e, até poucos meses antes da eleição, possuía um cargo comissionado na Prefeitura de Indaiatuba, também em solo paulista.

Nos corredores da Casa Legislativa, tornou-se assunto comum a eventual abertura de um processo de cassação do vereador do Podemos.

Um levantamento publicado por O Fator nessa segunda-feira (10) mostrou que Ganem participou de forma remota de 45 das 93 sessões plenárias realizadas em 2025, o que representa 47% das reuniões.

A reportagem perguntou à assessoria da Câmara Municipal se haverá posicionamento sobre o tema. O espaço está aberto.

O que diz a defesa?

Nos autos do processo que corre no TRE-MG, a defesa de Ganem diz que a transferência de domicílio eleitoral foi aprovada pela Justiça Eleitoral sem impugnação no momento adequado para tal.

Os advogados argumentam que o procedimento correto para questionar a transferência seria via recurso administrativo no prazo de 10 dias após a publicação do deferimento, antes da eleição do ano passado, o que não foi feito. Assim, a matéria estaria fora do prazo para novo questionamento.

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