A Assembleia Geral de Credores (AGC) da Coteminas, realizada em segunda convocação nesta quinta-feira (26), decidiu suspender a votação do plano de recuperação judicial do grupo até 7 de agosto. A decisão foi tomada após pedido das empresas em recuperação e de manifestações de credores que solicitaram mais tempo para análise das alterações recentes no plano.
A proposta de suspensão foi aprovada por 97,76% dos créditos presentes, que somaram R$ 973,1 milhões. Apenas 2,24% votaram contra o adiamento. Com isso, a assembleia será retomada em ambiente virtual na data definida, mantendo o mesmo credenciamento dos participantes já habilitados.
O advogado das empresas do grupo Coteminas, Gilberto Gornati, apresentou um aditivo ao plano de recuperação protocolado em 12 de junho e argumentou que as alterações são complexas e exigem análise detalhada pelos credores. Representantes de credores levantaram dúvidas sobre pontos como a venda de imóveis, critérios de avaliação e condições de pagamento dos credores extraconcursais. Também foi registrada preocupação com a transparência das informações e o impacto das mudanças para credores ausentes.
A assembleia foi conduzida pelos administradores judiciais Dídimo Inocêncio De Paula e Alexandre Correa Nasser de Melo. O secretário designado foi o credor Pedro Abder Nunes Raim Ramos. Durante a reunião, ficou estabelecido que eventuais alterações no plano deverão ser apresentadas pelas recuperandas com, no mínimo, cinco dias de antecedência à nova data da assembleia.
A administração judicial apontou que alterações na representação de credores devem ser comunicadas até 24 horas antes da retomada da AGC. Credores ausentes na continuidade terão seus votos registrados como abstenção.
A realização da AGC ocorre após decisão do juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, que prorrogou a suspensão de ações e execuções contra as empresas do grupo até de julho. O magistrado fundamentou a prorrogação na complexidade do processo e no elevado número de credores, destacando a necessidade de garantir estabilidade durante as negociações do plano de recuperação.