Zema e governadores de direita buscam espaço em meio ao isolamento de Bolsonaro

Governadores conservadores se reúnem em meio à prisão domiciliar de Bolsonaro e buscam ampliar protagonismo de olho nas eleições
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Governadores conservadores, entre eles Romeu Zema, se reúnem em Brasília em defesa de pautas bolsonaristas e críticas ao governo Lula. Foto: Aluísio Eduardo / Digital MG

Publicamente, o encontro foi apresentado como uma discussão sobre o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas a reunião que reuniu governadores de direita na quinta-feira (7), em Brasília, inclusive o de Minas, Romeu Zema (Novo), também tem como pano de fundo a tentativa de os chefes estaduais se posicionarem em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, principalmente, de aproveitarem seu isolamento, em função da prisão domiciliar, para buscar mais espaço na direita de olho nas eleições de 2026.

A reunião em Brasília foi articulada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que esteve com Bolsonaro no mesmo dia. Além de Zema, outros seis políticos compareceram ao encontro, realizado na casa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Entre eles, dois presidenciáveis: Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná.

A ausência de líderes regionais em manifestações recentes, como a do último domingo (3), provocou críticas de integrantes do núcleo mais próximos do ex-presidente. Muitos desses governadores têm pretensões presidenciais, de reeleição ou de disputar outros cargos, e vêm sendo cobrados publicamente por não assumirem uma postura mais firme na defesa de Bolsonaro, especialmente após a decretação da prisão domiciliar dele na última segunda-feira (4).

Agora, eles tentam minimizar o desgaste ao cobrar o Congresso Nacional por anistia e sinalizar alinhamento com o ex-presidente em pautas relacionadas ao Judiciário e à taxação dos Estados Unidos. Como mostrou O Fator, o problema é que esse movimento oscilante, ora mais explícito, ora mais discreto, tem gerado desconforto entre os aliados mais fiéis de Bolsonaro. Ainda assim, com o ex-presidente é cobrado a definir quem terá seu apoio em 2026, cada gesto público passa a ser interpretado como parte do jogo sucessório.

Outro cálculo político importante feito por alguns desses governadores recaí sobre o atual isolamento político de Bolsonaro. Em prisão domiciliar, ele tem autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apenas para reuniões pontuais com aliados, o que limita sua articulação no campo político. Ao mesmo tempo, está cada vez mais perto o julgamento por tentativa de golpe de Estado na Primeira Turma do STF. A expectativa é de que seja realizado em setembro.

Com essa limitação de movimentação, nomes da direita avaliam que há mais espaço para se posicionarem e se projetarem, o que é considerado essencial em um ano pré-eleitoral. Apesar de oscilar a defesa direta de Jair Bolsonaro, os governadores têm aproveitado o ambiente de críticas às decisões do Supremo, especialmente às decisões monocráticas de Moraes, para vocalizar insatisfações com o Judiciário.

Nesse vácuo, e para além da figura do ex-presidente e das críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas tratativas com a gestão de Donald Trump, os governadores encontram na questão do STF uma pauta que dialoga diretamente com a base conservadora e ajuda a manter o discurso em evidência, sem necessariamente atrelar suas imagens exclusivamente a Bolsonaro.

Veja quem participou da reunião dos governadores:

  • Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo (Republicanos);
  • Romeu Zema, governador de Minas Gerais (Novo);
  • Ratinho Jr., governador do Paraná (PSD);
  • Ronaldo Caiado, governador de Goiás (União Brasil);
  • Jorginho Mello, governador de Santa Catarina (PL);
  • Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro (PL);
  • Mauro Mendes, governador do Mato Grosso (União Brasil);
  • Wilson Lima, governador do Amazonas (União Brasil).

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