A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Marília Melo, será a nova presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A troca no comando da estatal foi definida nesta terça-feira (23), mesma data em que o governador Romeu Zema (Novo) sancionou a lei que autoriza a privatização da companhia.
Marília substituirá Fernando Passalio, que ocupava o cargo desde março deste ano, após deixar a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. Como mostrou O Fator, Passalio foi informado de sua saída em reunião com o alto escalão do governo na manhã desta terça.
A alteração na diretoria ocorre em um momento estratégico para o Executivo estadual, que busca alinhar a gestão da empresa aos planos de desestatização e à transição de governo prevista para 2026.
A escolha de Marília Melo está relacionada ao crescimento da influência do vice-governador Mateus Simões (PSD) nas decisões administrativas. Titular da Semad desde 2020, Marília é uma das integrantes do primeiro escalão mais próximas de Simões, que assumirá o governo no início do próximo ano com a saída de Zema para a disputa presidencial.
Além do alinhamento político, a nova presidente possui perfil técnico voltado para o setor. Engenheira Civil formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela é doutora em Recursos Hídricos pela COPPE/UFRJ (2016), com especialização em segurança hídrica urbana e gestão ambiental.
Cenário da privatização e renovação em BH
A mudança de comando acontece em meio a negociações decisivas para a valorização da companhia. A renovação do contrato de concessão com a Prefeitura de Belo Horizonte — considerado o principal ativo da empresa — está em fase final, embora ainda não tenha sido formalizada.
Paralelamente, a nova lei de desestatização estabelece as diretrizes para a venda. O texto vincula a maior parte dos recursos obtidos à quitação da dívida de Minas com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Pela regra, entre 0,5% e 2% da economia gerada com o abatimento da dívida deverá ser reinvestida em infraestrutura e ensino profissionalizante. A legislação também destina uma parcela minoritária da venda, limitada a R$ 250 milhões, a um fundo estadual de saneamento.
No campo trabalhista, ficou assegurada a estabilidade dos atuais funcionários por 18 meses após a privatização, com a possibilidade de realocação para órgãos como a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário (Arsae) ao fim desse período.
O cronograma do governo prevê a conclusão da venda até abril do próximo ano. O modelo em estruturação considera a negociação de um bloco de ações com um parceiro de referência estratégico, simultaneamente a uma oferta de papéis na Bolsa de Valores. A cúpula da Copasa avalia a venda de até 30% do capital total da empresa.