Devastadas pelas chuvas que atingiram a região da Zona da Mata, as cidades de Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá ainda contabilizam os prejuízos. Mais de 70 pessoas perderam a vida, cerca de 5 mil tiveram que abandonar suas casas. Um quadro desesperador, porém, cada vez mais comum diante da crise climática em curso. Em Patos de Minas, durante meu primeiro mandato como prefeito, enfrentei três grandes enchentes, felizmente sem vítimas fatais.
São situações que exigem respostas rápidas para salvar vidas e acolher quem perdeu tudo. Não é hora de buscar culpados, mas de unir forças. O jogo de empurra entre autoridades em nada contribui. Tampouco a solidariedade de quem chega com as mãos vazias, interessado apenas em usar as imagens da tragédia para se autopromover.
Na verdade, nós mineiros, enfrentamos os efeitos de um modelo falido: o dinheiro do imposto arrecadado nas cidades é enviado quase integralmente para Brasília e Belo Horizonte. Enquanto isso, na cidade onde vivemos, fica quase nada do imposto arrecadado. Definitivamente, essa fórmula não está resolvendo o problema das pessoas.
O que acontece em Minas Gerais já havia acontecido no Rio de Janeiro, em Petrópolis e Teresópolis. As pessoas estão morrendo sem que nada seja feito para evitar as tragédias. Juiz de Fora está entre as 10 cidades brasileiras com maior número de pessoas em áreas de risco. Pelo menos 24% da população — cerca de 130 mil — tem sua vida ameaçada cada vez que as chuvas se intensificam.
Os investimentos em contenção de encostas e drenagem são urgentes, mas frequentemente são barrados pela burocracia ou perdidos pela ineficiência do Poder Público. O governo federal alega ter disponibilizado R$ 3,5 bilhões do Novo PAC para prevenção para o nosso estado, mas os recursos não teriam sido liberados por falta de projetos do governo de Minas, que rebate a versão, mas não consegue justificar a redução de 96% dos investimentos, do orçamento do próprio estado, em ações contra os impactos das chuvas nos últimos três anos.
Enquanto autoridades federais e estaduais batem cabeça, as prefeituras das cidades atingidas tentam esticar a pequena parcela dos recursos disponíveis que lhes cabe. E além dos itens de primeira necessidade, doados por brasileiros solidários de todas as partes, as prefeituras precisarão reconstruir infraestruturas, requalificar bairros e organizar novamente o dia a dia. E aí, sobram necessidades, mas faltam recursos.
Só a revisão do pacto federativo garantirá autonomia maior às cidades brasileiras para enfrentar situações como essa, podendo realmente investir em prevenção, sem ter que ficar com o pires na mão. Os mineiros estão cansados de desculpas. Exigem soluções para os problemas do presente e planejamento de futuro. Ou, infelizmente, as tragédias continuarão sendo anunciadas.