A democracia brasileira tem um custo, e não é pequeno. Neste sistema, campanhas eleitorais não se fazem apenas com carisma, boas intenções ou discursos inflamados. Fazem-se com estrutura partidária, capilaridade nacional, tempo de televisão e, principalmente, financiamento público. Fingir o contrário é desonestidade ou ingenuidade.
O modelo de financiamento atual, baseado no fundo partidário e no fundo eleitoral, é o que viabiliza a competitividade nas urnas. É também o que determina quem tem condições reais de formar bancadas, disputar governos e chegar ao segundo turno de uma eleição presidencial. O resto é ilusão vendida em live de pré-candidato sem partido.
A política brasileira está organizada de forma a punir candidatos programáticos sem estrutura. Esses nomes, por mais qualificados que sejam, acabam engolidos por adversários com musculatura fisiológica. E a verdade é uma só: você pode convencer um político a mudar de partido, a ceder num discurso ou até a aceitar alianças improváveis. Mas não o convence a cometer suicídio eleitoral. Política, no fim, é disputa por sobrevivência.
Nas eleições de 2026, PT e PL chegarão com seus polos bem definidos. Vão repetir os discursos de sempre, apostando na fidelidade de suas bases, alimentadas por uma máquina de comunicação altamente profissionalizada e muito dinheiro no bolso. A polarização, por si só, já garante audiência e financiamento.
Do outro lado, o União Progressistas se arma com um pragmatismo total. Não tem identidade, mas tem um bilhão de reais em caixa. Monta candidaturas de todas as vertentes e ocupa espaço onde houver votos a conquistar. Sua lógica é empresarial: retorno político pelo investimento feito.
Nesse contexto, surge o Centro Democrático, encampado pela fusão entre PSDB e Podemos. Mais do que um casamento de conveniência, a fusão representa uma tentativa real de reorganizar o centro político brasileiro. Esse novo partido nascerá com recursos relevantes, presença nacional, quadros técnicos respeitados e capilaridade suficiente para lançar candidaturas competitivas na maior parte dos estados.
É a primeira vez em muito tempo que o centro político tem a chance de disputar uma eleição em condições semelhantes às dos extremos e dos partidos pragmáticos. E isso é fundamental. Porque não basta ter bons nomes, é preciso ter como apresentá-los ao eleitor. O Centro Democrático pode ser a alternativa racional em um debate cada vez mais emocionalizado.
Junto de MDB, PSD, Republicanos e do PSB, esse novo partido passa a compor o chamado “G8 da política brasileira”. São os partidos com estrutura real, fundos robustos, bancadas expressivas e poder de influência institucional. Esses oito estarão na mesa das grandes decisões, seja qual for o presidente eleito em 2026.
Quem não se reestruturar ficará para trás. PDT, NOVO, Avante, PRD, PSOL e outras legendas de porte médio precisarão decidir: fundem-se entre si, associam-se aos grandes ou correm o risco de desaparecer do tabuleiro. A cláusula de barreira e a lógica do sistema impõem esse movimento.
Mais do que brigar contra a polarização, o Centro Democrático tem o desafio de apresentar uma visão de país. Precisa ir além do discurso contra os extremos. Tem de oferecer um projeto viável, com base técnica, responsabilidade fiscal e compromisso social. Sem isso, será só mais uma sigla em busca de espaço.
A fusão entre PSDB e Podemos é um movimento estratégico e necessário. Mas sua força real dependerá da capacidade de formar narrativas claras, mobilizar a sociedade e disputar mentes, não apenas cargos. Se quiser se tornar protagonista, o centro precisa falar com o Brasil real. Aquele que está cansado do radicalismo, mas ainda desconfia da moderação.
O novo jogo político já começou. E nele, quem não tiver projeto, estrutura e identidade ficará fora da partida. O Centro Democrático tem a chance de ser uma terceira via concreta. Agora é hora de mostrar que tem estrada, e não apenas intenções.