É inegável que o futebol, para quem o pratica profissionalmente, se tornou um esporte de alta pressão. A cada lance e a cada partida, a vitória se torna obrigação, enquanto a derrota, o estopim de uma nova crise. Essa mentalidade de “ou tudo ou nada” se tornou o “novo normal” no país da bola, especialmente após o crescimento das redes sociais, onde a crítica é instantânea e, diversas vezes, cruel.
No passado, não muito distante, a derrota fazia parte do jogo. Hoje, tornou-se sinal de incompetência. Quando um time vence, raramente celebra-se o mérito. A vitória é apenas o que se esperava. Mas, se perde, ou quando é desclassificado, a enxurrada de críticas só é amenizada em caso de vitória convincente na partida seguinte, e a paixão dos torcedores transforma-se em puro ódio: ninguém presta, tem que trocar tudo – e todos – imediatamente: “mandem embora, mate-os já” (e tragam-nos novos bezerros para o abate).
Torcer e exaltar seu time, nas vitórias e conquistas, é a parte fácil do “fanatismo”, mas apoia-lo nos momentos desafiadores é o que mostra a verdadeira paixão do torcedor. E esses momentos são muito mais frequentes que os bons.
Atletas não são robôs
A cada disputa de bola, os jogadores são alvo de análises minuciosas e irracionais, de xingamentos e questionamentos que nunca levam em conta o esforço individual ou a própria complexidade do esporte.
Em quase nenhuma profissão você é levado a tomar uma decisão em uma fração de segundo, sob intensa pressão física e psicológica. Mas, no esporte de alto rendimento, essa é a rotina, e você é cobrado impiedosamente por isso. Porém, muitos se esquecem, todos os atletas são seres humanos, e o erro faz parte da nossa essência como espécie.
O fato é que a “overdose” de jogos e de campeonatos, além do excesso de exposição pessoal, contribui para o processo de saturação do atleta e mesmo do esporte. O futebol tende a ficar mais chato e as grandes partidas, cada vez mais raras – e rasas.
Na alegria e na tristeza?
Dia 11 de setembro próximo, um grande clube de Belo Horizonte deverá entrar em crise, e o outro (classificado) apenas terá se safado das críticas e da fúria momentâneas, mas que, em um futuro breve, certamente as vivenciará.
Isso é mesmo amar um clube?