Estrear como colunista de O Fator me dá a oportunidade de fazer uma homenagem a quem tanto me ensinou, contribuiu e ainda segue contribuindo para o desenvolvimento da gestão pública no Brasil. Conhecido por sua capacidade e trabalho, Antonio Anastasia, ex-vice-governador, ex-governador, ex-senador e hoje ministro do Tribunal de Contas da União, deixou seu legado não só nas obras ou de feitos ao longo de mais de quatro décadas dedicadas ao serviço público. Anastasia é exemplo.
Ele sintetiza o que tem faltado nos dias de hoje: Equilíbrio, sensatez, liderança ética e moral. Em tempos sombrios como os que estamos vivendo, figuras como a de Anastasia fazem falta no dia a dia da política. O diálogo, a escuta sempre ativa, a construção de consensos e a busca incansável por soluções equilibradas sempre foram marcas de sua atuação. Não é à toa que, mesmo fora dos holofotes, seu nome segue lembrado e respeitado por diferentes espectros políticos, sinal claro de que a boa política ainda ecoa.
Lembro-me das reuniões, do nosso dia a dia, de cada viagem oficial em que acompanhei de perto sua postura: firme nos princípios, flexível na escuta; exigente na técnica, generoso no trato. Era possível aprender com seu silêncio sempre atento, com sua fala pausada e equilibrada, com sua capacidade de fazer mais com menos, não por vaidade, mas por compromisso inarredável e inegociável com o interesse público.
Ao assumir o Tribunal de Contas da União, levou consigo essa marca. A de quem não transige com o que é certo. A de quem entende que o Brasil precisa de instituições sólidas e exemplos inspiradores. Sua presença ali é a garantia de que há, sim, homens públicos que ainda honram o juramento feito ao assumir cargos.
Neste momento em que estreio esta coluna, sinto que nada seria mais justo do que começar homenageando alguém que representa tanto. Porque precisamos, mais do que nunca, lembrar aos que chegam que ainda vale a pena fazer a política com P maiúsculo. Que ainda é possível servir, e não se servir. Que ainda há quem inspire.
E se hoje figuras como Antonio Anastasia parecem cada vez mais raras na vida pública, não podemos e não devemos perder a fé na política como propósito. Como ferramenta indispensável na transformação da vida das pessoas. Precisamos seguir de cabeça erguida, acreditando que a boa política ainda é possível. Que ela é, sim, o único caminho capaz de reconstruir pontes, restaurar a confiança social e fazer o Brasil reencontrar a paz que seu povo tanto merece. Porque a política nunca deveria ser instrumento de manipulação das pessoas, como estamos vendo nos dias de hoje. A política existe para servir, e não para iludir. Para promover justiça, e não divisão. Para aproximar o cidadão do Estado, e não para usar o Estado contra o cidadão.
Já está mais do que na hora de mudar esse rumo. Precisamos trocar os gritos por conversas, o ódio pelo respeito e as brigas verbais por soluções que realmente funcionem. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, expressou bem essa necessidade quando disse que é hora de “despolarizar o Brasil”, e isso é algo urgentemente necessário. Chegou a hora de unir esforços e focar no que realmente importa, deixando de lado as diferenças e os discursos raivosos que só nos afastam uns dos outros. É preciso agir já porque o Brasil tem pressa.
Talvez esse pensamento soe, para alguns, como ingenuidade, até mesmo um certo delírio. Mas sigo acreditando. Porque não há outra forma de continuar, a não ser acreditando que as coisas voltarão ao “normal” quando formos, de fato, liderados por quem vê na gestão pública uma missão e não um palanque. Por quem compreende que fazer o certo pode não dar voto imediato, mas certamente deixa legado.
Escrevo a partir da minha própria trajetória. Iniciei minha caminhada na vida pública em 2003, na Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo de Minas, ainda no início da gestão de Aécio Neves. Tive o privilégio de acompanhar de perto a transformação administrativa e os avanços que transformaram Minas e marcaram aquele período. Depois, tive a honra de servir nos governos de Antonio Anastasia, onde aprendi com o rigor técnico e a sobriedade de quem governa com responsabilidade.
No Senado Federal, fui seu chefe de gabinete, e vivi, em Brasília, uma das fases mais intensas e enriquecedoras da minha vida profissional. Vi de perto a importância do Parlamento, da boa articulação e do respeito ao contraditório.
E, mais recentemente, nos últimos três anos, tive o privilégio e a honra de servir como chefe de gabinete da Prefeitura de Belo Horizonte, ao lado do nosso eterno prefeito Fuad Noman, um líder sereno, firme e leal aos valores do serviço público.
Foram anos de trabalho intenso, de decisões difíceis, mas sempre pautadas pelo bem coletivo. Caminhar ao lado de pessoas de bem é uma honra. E é também uma responsabilidade. Porque a política, quando feita com decência, é o mais nobre dos ofícios.
Que este espaço, que hoje se abre, seja também um convite ao reencontro com a boa política. Aquela que transforma, que respeita o contraditório e que entende a diferença como parte da democracia. A política que não se alimenta da vaidade nem do ódio, mas que se firma no propósito de deixar legado para as pessoas, para as instituições e para as futuras gerações.