A falta de qualidade e de critério editorial ou, ainda, a pura má-fé em busca de cliques fáceis, vêm descredibilizando a imprensa como um todo — e não é de hoje. Pior. O mau trabalho de alguns veículos contamina o bom trabalho dos bons veículos, e não me refiro apenas a grandes ou pequenas empresas de comunicação, muito menos a jornalistas conhecidos ou não, mas a uma parte do setor, que tem atirado na vala comum um dos principais pilares do mundo moderno e de nações desenvolvidas.
Não há democracias sólidas, não há sociedades equilibradas, não há ambientes econômico e socialmente avançados sem uma imprensa vigilante, independente e de ótima qualidade. A informação certa, na hora certa, transmitida ao público da maneira certa contribui sobremaneira para o dia a dia de bilhões de pessoas por todo o mundo, e não importa se vivem em metrópoles ou em regiões rurais; em países riquíssimos ou paupérrimos. Sem informação (certa), tem-se apenas obscuridade.
As chamadas fake news, infelizmente, se tornaram parte dos males modernos. Assim como as doenças, contaminam indivíduos e sociedades, e trazem enorme perigo às pessoas — individualmente ou coletivamente. Se, antes, informações inverídicas já eram perigosas e acarretavam violência e danos materiais e morais — em muitas ocasiões irreversíveis —, atualmente, com a velocidade da internet e a onipresença das redes sociais, tanto pior. E mentiras e/ou desinformação atingem a todos, indiscriminadamente.
Entendam a verdade
Circula por diversos sites (locais e nacionais) a notícia que o Atlético Mineiro — o Galo mais lindo e querido do universo! — processou um bloco de carnaval do Recife, o Galo da Madrugada, por causa do nome, ou melhor, da marca Galo, de propriedade do Clube. E mais: o alvinegro teria perdido o processo. Parece crível? Não, né? É tão ridículo que chega a ser impensável. Mas, mesmo assim, a notícia — que é uma não notícia — se tornou viral, e o clube mineiro, obviamente, motivo de chacota nas redes sociais.
Vamos aos fatos: o Atlético é proprietário da marca “Galo” desde 1983, para os segmentos “desportivos, recreativos, sociais e culturais”. Em 2012, o bloco Galo da Madrugada pediu o registro, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), órgão responsável para tal, da marca “Galo Folia”, abarcando, inclusive, o subitem “esporte”. O Atlético, obviamente, tão logo notificado, ingressou com oposição, que foi acatada pelo INPI em 2017. Tudo bem até aqui?
Beleza. Ocorre que o bloco entrou com recurso e… reverteu a situação! Como? Bem, já dizia o outro: “No Brasil, nem o passado é certo”. O Judiciário brasileiro não é esse poço de insegurança jurídica à toa, não. O Atlético, então, em 2022, acertadamente ajuizou uma ação para tentar anular o absurdo registro, já que é o legítimo detentor da marca desde os anos 1980. Tal ação foi indeferida pelo Judiciário fluminense, mas ainda cabe recurso. Entendem, agora, por que a notícia é uma “não notícia”? Pura desinformação?
Não espalhem desinformação
O Atlético jamais processou o Galo da Madrugada por causa do uso do nome Galo, como tem sido divulgado por aí. Como eu disse no início, seria de tal sorte estúpido que nem o mais incompetente dirigente ou advogado ousaria fazê-lo. O Atlético tão somente está tentando manter seu direito legítimo de propriedade — intelectual, econômica, etc. — sobre sua tradicional marca, seu mundialmente conhecido símbolo do passado, do presente e do futuro: Galo! É realmente querer muito? Não, né?
Se o Atlético não conseguir reverter a decisão, amanhã ou depois poderemos ter um clube de futebol chamado “Galo Folia”, ou qualquer outro utilizando nosso símbolo ostensivamente, causando confusão desportiva e patrimonial, acarretando prejuízos imprevisíveis. Qual pessoa física, qual empresa, qual clube esportivo não brigariam por um direito, ou melhor, um ativo de valor bilionário seu? Agora, por que isso não foi e não está sendo devidamente retratado pela “imprensa”, cada um que julgue.
O Atlético já se posicionou oficialmente, mas até agora não vi retratação ou mesmo esclarecimentos de quem divulgou a “desinformação” anterior. O diabo de uma fake news é que, uma vez solta de sua jaula, nunca volta para dentro, mesmo que seja desmentida posteriormente. E a culpa não é só de quem a distribui, mas de quem, sem a mínima atenção ou análise, corre para divulgá-la em busca de cliques fáceis ou mesmo sensacionalismo barato nas redes sociais.