Com uma pequena variação ou outra, a fábula “O sapo e o escorpião”, atribuída a Esopo, o que é incerto, conta mais ou menos o seguinte:
Era uma vez um sapo e um escorpião que estavam parados à margem de um rio.
“Você me carrega às costas para eu poder atravessar o rio?”. Perguntou o escorpião ao sapo.
“De jeito nenhum. Você é a mais traiçoeira das criaturas. Se eu te ajudar, você me mata em vez de me agradecer”, respondeu o anfíbio.
“Mas, se eu te picar com meu veneno, morro também”, replicou o peçonhento. “Me dê uma carona. Prometo ser bom, meu amigo sapo.”
Convencido, o sapo concordou. Porém, durante a travessia, sentiu nas costas a picada mortal.
“Por que você fez isso, escorpião? Agora nós dois morreremos afogados”, arguiu em desespero o sapo. “Porque esta é a minha natureza. Eu não posso mudá-la”, respondeu o traidor.
Família Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família já deram mostras e mais mostras do que pensam, como e o que são: extremistas, corporativistas, interesseiros, egoístas, virulentos, infiéis, rancorosos, irresponsáveis, negligentes, lenientes e agressivos.
Exemplos de ex-aliados, largados ao menor ruído e visceralmente atacados, não faltam; abundam: Joice Hasselmann, Alexandre Frota, General Santos Cruz, Gustavo Bebianno, Daniel Silveira, Carla Zambelli. O “crime” deles? Não aderir 150.000% ao que querem e mandam os Bolsonaros.
Recentemente, foi a vez dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR). Todos apenas mostraram preocupação com o tarifaço trumpista e tentaram relativizar, acertadamente, a correlação direta com Jair Bolsonaro.
Bolsonarismo peçonhento
Eduardo Bolsonaro atacou, primeiro, Tarcísio: “Prezado governador Tarcísio de Freitas, se você estivesse olhando para qualquer parte da nossa indústria ou comércio estaria defendendo o fim do regime de exceção que irá destruir a economia brasileira e nossas liberdades. Mas como, para você, a subserviência servil às elites é sinônimo de defender os interesses nacionais, não espero que entenda.”
Os bombeiros entraram em ação e tudo, aparentemente, voltara ao normal. Mas a pax durou pouco, e Dudu Bananinha voltou à carga: “Desconfie de quem se mostra preocupado com a “tarifa-Moraes” e não fala dos presos políticos ou crise institucional, ignorando a carta do Trump que é expressa na solução do problema. Estão te enganando, jogando para a plateia e prolongando o sofrimento de quem dizem defender”, endereçou o bolsokid ao governador paulista.
Romeu Zema foi o segundo alvo: “Enquanto são pessoas simples e comuns as vítimas da tirania, não há problema. Mas mexeu com a sua turminha da elite financeira, daí temos o apocalipse”. Se o mineiro sentiu, ou não, ninguém sabe. Ficou calado e o assunto foi por ora esquecido.
Comportamento mafioso
Por último, Ratinho Jr: “Trump postou diversas vezes citando Bolsonaro, fez uma carta onde falou de Bolsonaro, fez declarações para a imprensa defendendo nominalmente o fim da perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores”. E continuou:
“Desculpe-me governador, @ratinho_jr, mas ignorar estes fatos não vai solucionar o problema, vai apenas prolongá-lo ao custo do sofrimento de vários brasileiros.”
Eis o clã das rachadinhas em sua mais pura essência. O modus operandi de Eduardo Bolsonaro, que já ameaçou policiais federais e ministros do Supremo, não é diferente do mafioso transnacional Donald Trump. Até porque, “Um gambá cheira o outro.”
Sobrou para a “Nikolete”
O animador de auditório virtual e deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tem duas características visíveis e irrefutáveis: 1) É tão profundo quanto um pires raso. 2) É um gênio da comunicação de massa digital.
Tais predicados o fizeram ser, hoje, um dos maiores “líderes” políticos do país. Se maior que o próprio criador, Jair Bolsonaro, não sei. Mas, maior que o filho Bananinha, com certeza. Não à toa já ter sido admoestado pelo próprio, mais de uma vez:
“Ele recebeu uma reprimenda do Arthur Lira, então presidente da Casa. Eu fui contra o Arthur Lira. Eu divulguei o vídeo (do Nikolas usando peruca, denominando-se Nikolete). Eu não acho ele uma pessoa mal-intencionada, mas confesso que esperava mais respaldo”. E mais uma vez: “É uma pessoa abjeta, que defende a minha prisão e de minha família (sobre uma blogueira). É triste ver a que ponto o Nikolas chegou.”
Escorpião é escorpião. Mane é Mané
Escrevi uma coluna no O Fator, “alertando” o vice-governador Mateus Simões: Que o ataque de Eduardo Bolsonaro a Zema sirva de lição para Mateus.
Romeu Zema, na minha opinião, é um “caso perdido”. Associou-se tanto ao bolsonarismo e, pior, colou de tal sorte sua imagem a um bolsonarista radical, que agora não tem como voltar atrás, sob o risco de ir parar no mais profundo limbo eleitoral.
Os Bolsonaros e o bolsonarismo, via de regra, atuam como escorpiões. Sua natureza é a peçonha. E Dudu Bananinha mostra que não tem o menor receio de se auto exterminar, como o escorpião da fábula.