Minas Republicana

A lição de Tancredo Neves, de que na política existem adversários e não inimigos, nunca foi tão respeitada
Foto mostra bandeiras de Minas, Brasil e Mercosul
Foto: Arquivo/ALMG

Em Minas Gerais, há uma lenda de que quando o mineiro vai ocupar uma função federal, em Brasília, ele deixa de ser mineiro e vira brasileiro.

Tímido, o mineiro não é capaz de administrar benesses federais que possam, legitimamente, beneficiar o seu estado natal.

Foi assim no período militar e tem sido assim – da mesma forma! – na redemocratização.

Desde Juscelino, com Brasília, os mineiros privilegiam o Brasil. 

Na construção da nossa capital, republicanamente, Juscelino juntou os mineiros – o pessedista Israel Pinheiro e o udenista Guilherme Machado – para dar ainda maior transparência republicana à grande obra da sua presidência.

Itamar foi o presidente mineiro que retirou o Brasil do atoleiro inflacionário com seu Plano Real, que FHC continuou.

A lição de Tancredo Neves, de que na política existem adversários e não inimigos, nunca foi tão respeitada.

Seu neto, Aécio Neves, que já sargenteara nacionalmente como presidente da Câmara dos Deputados, quando governador de Minas, reconciliou-se mineiramente com o adversário de seu avô, o senador Eliseu Resende.

Já o senador mineiro, Rodrigo Pacheco, quando recentemente presidiu o Congresso Nacional, procurou na Assembleia Legislativa de Minas o seu presidente, Tadeu Martins Leite, para, republicanamente, costurar para todos os brasileiros, inclusive os mineiros, uma fórmula eficiente de equacionar a dívida dos estados brasileiros com a União.

A última reconciliação mineira republicana partiu do ministro mineiro Alexandre Silveira, das Minas e Energia, que recebeu em seu gabinete, em Brasília, o governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões, acompanhado de deputados estaduais e prefeitos do sul de Minas, para dar tratos à instalação de um gasoduto que ligará Bragança Paulista (SP) à Extrema, em Minas Gerais.

O ministro, que já se havia notabilizado ao suceder no Senado a figura de Antônio Anastasia, guindado ao Tribunal de Contas da União, como municipalista, dá exemplo de sobra da prática da boa política mineira.

O velho vento republicano volta a soprar em Minas Gerais.

Leia também:

Por que o Mater Dei vai deixar de atender os militares de Minas pelo IPSM

Ação de sindicato contra código de ética da Secretaria da Fazenda de Minas chega ao STF

CGU aponta falhas em licitações de R$ 265 milhões da Codevasf

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse