Elas são a maioria da população e também do eleitorado brasileiro. Em Minas Gerais não é diferente: as mulheres representam 52,11% dos mineiros e já são 45% dos chefes de família do estado. Mas essa força social ainda não se reflete na política, um dos poucos ambientes onde elas seguem sendo minoria. E, quando conquistam cargos de poder, por vezes enfrentam situações constrangedoras, vítimas de machismo e de homens que tentam subjugá-las como se fossem superiores.
Situações que precisam mudar — especialmente em um ano em que mineiras e mineiros voltarão às urnas para escolher representantes estaduais e nacionais. Pois o futuro de Minas passa, necessariamente, por mais mulheres participando, decidindo e ampliando espaços de poder.
Por isso, a Associação Mineira dos Municípios (AMM) promoverá no próximo dia 9 de março, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o evento “Mulheres que Governam: capítulos de coragem, voz e transformação”, para debater os principais desafios enfrentados pelas 68 prefeitas eleitas em 2024.
A AMM quer garantir que a celebração do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, vá além das homenagens rotineiras e dê voz às mineiras, reafirmando nosso compromisso institucional com as prioridades da população feminina.
Também é preciso encarar estatísticas dolorosas: Minas ocupa a segunda posição no ranking de feminicídios do país, atrás apenas de São Paulo. Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do estado registraram, em 2025, pelo menos 139 assassinatos de mulheres — uma morte a cada dois dias. Vidas interrompidas pela violência doméstica, num quadro alarmante que exige providências urgentes e a mobilização de todos, sem exceção. Não há desenvolvimento possível quando metade da população vive sob risco, medo e desigualdade.
Entre as convidadas para os seis painéis estão lideranças engajadas na luta por mais igualdade e proteção às mulheres. A começar pela prefeita de Serrania, Xanda Maria, que também lidera o Movimento das Mulheres Municipalistas e mediará a mesa “O peso de existir sendo mulher”, dedicada à escuta ativa sobre dificuldades e preconceitos enfrentados por gestoras no dia a dia.
No painel “Os números gritam”, serão discutidos os índices de violência contra a mulher no estado, com a Dra. Denise Guerzoni, promotora de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; a major Andiara Ribeiro, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais; e a Dra. Aila Figueiredo, juíza de Direito do Tribunal de Justiça.
Mais do que mapear problemas, o evento da AMM busca estimular uma reflexão coletiva sobre a importância da presença feminina na política municipal, o compartilhamento de trajetórias e estratégias de resistência, fortalecendo a autoestima e ampliando redes de apoio. A expectativa é que iniciativas como esta se multipliquem em Minas e no Brasil, incentivando mais mulheres a ocuparem, por direito, espaços de decisão. Temos convicção: quando as mulheres avançam, Minas avança junto.