O xadrez político de 2026: palanques, movimentos e a jogada decisiva

Pacheco pode ter papel importante na eleição do ano que vem. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

As eleições de 2026 prometem ser um jogo de paciência e cálculo milimétrico. O presidente Lula, que já sinalizou disputar a reeleição, parte de sua base mais sólida: o Nordeste, onde construiu laços históricos e mantém hegemonia. Mas a batalha decisiva será em três outros tabuleiros: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Em São Paulo, onde nasceu politicamente, Lula precisa consolidar apoios. A equação pode incluir Geraldo Alckmin, figura de confiança no centro político, como candidato ao governo estadual. Esse movimento daria ao lulismo não apenas um palanque robusto no maior colégio eleitoral do país, mas também um aceno de estabilidade ao empresariado paulista.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes surge como aliado quase natural. Prefeito com grande capital político, pragmático e bem avaliado, ele oferece a Lula a possibilidade de um palanque competitivo num estado onde a direita bolsonarista ainda é forte, mas fragmentada.

Já em Minas Gerais, abre-se o maior desafio e também a maior oportunidade. Lula gostaria de contar com Rodrigo Pacheco, mas a legenda flerta com Mateus Simões, vice-governador do Novo e nome emergente da direita mineira. Esse movimento deixa Pacheco num impasse: seguir num partido que se inclina para a direita ou buscar novos ares. Enquanto isso, Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, cresce no radar da esquerda como opção concreta para ser o palanque lulista no estado.

Do outro lado do tabuleiro, a direita também se move. Em Minas, Simões pode herdar o espólio de Romeu Zema e disputar o governo estadual. No plano nacional, Zema sonha em ser candidato à presidência, mas terá de enfrentar nomes mais consolidados, como Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Jr. (PR), além de lidar com a sombra sempre presente do bolsonarismo. A disputa da direita, portanto, está longe de ser pacífica, e o risco de fragmentação é real.

Mas é aqui que entra a jogada decisiva do xadrez político de 2026: a possibilidade de Rodrigo Pacheco deixar o PSD, buscar uma legenda com densidade nacional e compor como vice de Lula. Seria a reedição da fórmula vitoriosa de 2002, quando um mineiro — José Alencar — deu ao lulismo não apenas votos, mas sobretudo lastro de governabilidade.

Se a peça mineira mudar de casa e ocupar a vice, o tabuleiro inteiro se reorganiza.

Não seria apenas um gesto eleitoral, mas a senha da governabilidade.

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