Quanto vale uma vida?

A jovem Juliana Marins, que morreu ao percorrer uma trilha na Indonésia
Governo da Indonésia foi negligente. Negligente em reconhecer a urgência plena. Negligente em acionar rapidamente todo o suporte técnico e internacional disponível. Foto: Resgate Juliana Marins/Instagram

Quanto vale uma vida? Para nós, vale tudo. Vale o mundo. Vale cada segundo de esperança.

Na última sexta-feira, o Brasil inteiro parou. Aflito, com o coração nas mãos. Por quatro longos dias, todos acompanhamos com angústia o drama da jovem Juliana Marins, de apenas 26 anos, que caiu em uma trilha em um vulcão na Indonésia.

Quatro dias de silêncio, de espera, de orações desesperadas por um milagre. Mas esse milagre não veio. Juliana foi resgatada hoje, sem vida. E com ela, parte da nossa fé na humanidade também desabou.

É impossível não sentir revolta. É impossível aceitar que, em pleno século XXI, uma brasileira tenha sido deixada vulnerável por tantos dias, diante de um cenário que exigia máxima mobilização. Uma jovem cheia de vida, com sonhos, família, planos… ficou exposta por quatro dias, enquanto a resposta de resgate falhou em corresponder à urgência e gravidade da situação.

Ainda mais revoltante é saber que Juliana foi localizada ainda com vida. Ela precisava de ajuda. E naquele momento, tudo deveria ter sido feito. Cada segundo importava. Era a chance de salvá-la. Era a hora de agir com urgência, não com omissão.

O governo da Indonésia foi negligente. Negligente em reconhecer a urgência plena. Negligente em acionar rapidamente todo o suporte técnico e internacional disponível. Negligente em priorizar o mais básico dos direitos: o direito de lutar pela própria vida. E isso dói. Dói em cada brasileiro que esperou por boas notícias. Dói em cada mãe que se viu na dor da família de Juliana. Dói em todos nós, porque Juliana poderia ser qualquer um de nós.

Isso me faz pensar em como essa triste história poderia ter um desfecho diferente se lá estivessem profissionais com a coragem e a competência do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Basta lembrar da maior operação de resgate da história do país: Brumadinho. Iniciada em 25 de janeiro de 2019, a força mineira se manteve incansável por mais de mil dias de buscas, em uma demonstração de respeito absoluto à vida, mesmo diante do impossível. Eles mostraram ao mundo o que significa humanidade, compromisso e solidariedade verdadeira.

Juliana merecia esse mesmo empenho. Ela merecia mais do que orações. Mercia ação.

Mas se há algo que jamais falha, é o povo brasileiro. Um país inteiro se uniu. Milhões oraram, se emocionaram, compartilharam, esperaram. Em um tempo de polarizações e ruídos, Juliana nos lembrou que a dor ainda nos une.

Assim como nos unimos em Mariana, em Brumadinho, na Boate Kiss, na tragédia da Chapecoense, unimo-nos agora. Porque o brasileiro tem um coração coletivo, e quando um de nós sofre, todos sofremos juntos.

Hoje, o que nos resta é a dor. A tristeza de um desfecho que não deveria ter acontecido. A indignação por uma jovem brasileira ter sido vítima de um socorro que ficou aquém do necessário. E a solidariedade profunda à família, que agora precisa lidar com um luto que poderia, e deveria, ter sido evitado. Seguiremos em oração para que Deus os fortaleça.

Não podemos deixar de dizer: a Juliana não morreu apenas por causa de um acidente. Ela morreu porque foi vítima da negligência. E isso é inaceitável.

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