Que o ataque de Eduardo Bolsonaro a Zema sirva de lição para Mateus

O pai, Jair, é adepto do: “Prefiro ganhar de quatro do que perder de pé”. Eu conheço Mateus Simões. Sei que não pensa assim
Eduardo Bolsonaro no plenário da Câmara
Eduardo Bolsonaro mostrou que não sabe do que está falando. Foto: Zeca Ribeiro /Câmara dos Deputados

Quem sou eu para dar conselho político a um vice-governador de estado, do quilate de Mateus Simões? Bem, no mínimo, ou no máximo, alguém que gosta muito dele e que o acompanha desde o início de sua vereança.

O governador Romeu Zema – sabe-se lá o porquê – decidiu rebaixar-se politicamente, já há algum tempo, ao associar não apenas seu nome, mas sua postura de governante, tido como moderado, ao extremismo dos bolsonaristas.

Uma coisa é a justa, legítima e necessária atuação – como oposição – ao governo federal, que é muito ruim mesmo em praticamente todos os aspectos. Outra, contudo, é personalizar e escalar o debate político como tem sido feito.

O bom combate, sim. O mau, não

O presidente Lula deve, sim, ser desmascarado por suas falácias, mistificações e mentiras. Mas não se pode combater tal recriminada postura, utilizando-se de métodos semelhantes. Se, “A Cesar o que é de Cesar”, “A Lula o que é de Lula”.

A parte de responsabilidade que cabe ao lulopetismo no atual rompimento diplomático com os EUA, resume-se ao alinhamento da “alma mais honesta deff paíff” a facínoras e ditadores mundo afora e ao antiamericanismo bocó.

Para piorar, ao se tornar títere da China no âmbito dos Brics, e o “idiota útil” a propor confronto com o dólar, criando uma moeda alternativa no comércio internacional, Lula agravou um já dificílimo acordo comercial com o bufão alaranjado.

Entendam: Trump é tóxico

Porém, a política mafiosa de Donald Trump não é exclusividade do Brasil. O sujeito atira contra tudo e contra todos, comercialmente falando. Inclusive, contra aliados ainda mais históricos e próximos dos Estados Unidos, como a Coreia do Sul.

Quando Zema endossou e subscreveu a insanidade de Eduardo Bolsonaro, imediatamente repetindo as lacrações de bolsonaristas contra Lula, tomou partido não da oposição, mas da família Bolsonaro e de sua busca por impunidade.

Nada diferente, aliás, do que fez Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. O diabo desse alinhamento com o bolsonarismo é a cegueira que causa. Na pressa de se mostrar subalterno, cometem-se erros políticos graves. Talvez, irreversíveis.

Abandonados e tombados

O governador paulista, quase imediatamente, começou a reparar seu erro, mas foi prontamente atacado por Eduardo Bolsonaro. Depois, selaram um armistício nas redes. Mas Tarcísio já entendeu: com os Bolsonaros, é “all in”. Ou tudo, ou nada!

Que digam Gustavo Bebianno, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, General Santos Cruz e tantos outros ex-aliados políticos, que se tornaram alvo da fúria bolsonarista apenas por não aderir – em 150% – ao que querem e “mandam” os chefões.

Agora, simplesmente por apontar o óbvio e ululante – que Eduardo Bolsonaro errou, e feio! -, nosso Chico Bento (Romeu Zema, para os íntimos) já se tornou “comunista na Austrália” e é alvo das maluquices conspiratórias de Dudu Bananinha.

Zema: nem lá, nem cá

No meu comentário no “Papo Antagonista com Felipe Moura Brasil” – no ar de segunda a sexta-feira, de 18:00h às 19:30h, no canal BM&C News e no Youtube de O Antagonista – de terça-feira, 22, eu apontei um fato e um risco para Romeu Zema.

O bolsonarismo não admite meia alma, ou 99% da alma. Quer, como já disse acima, 150% de tudo: coração, corpo e mente. Pior. Sem oferecer nada em troca, senão abandono, ingratidão e traição quando o sabujo é abandonado no meio do caminho.

Agora, ao “criticar” Eduardo, Zema corre o risco de não conseguir se dissociar da enrascada em que o clã das rachadinhas nos meteu – o que é péssimo, eleitoralmente falando – e, ao mesmo tempo, desagradar à bolha bolsonarista.

Quem gosta de Mateus, que o embale

Mateus Simões é o candidato natural – e com todos os méritos – à sucessão de Zema em Minas Gerais. Obviamente, o vice-governador precisa não apenas do apoio do grupo político que o cerca, como o do eleitorado bolsonarista – inclusive o radical.

Entendo perfeitamente os sinais que Mateus envia a este espectro político, mas acredito, sinceramente, que um distanciamento prudente faz-se necessário. Porque Mateus jamais irá aderir – assim espero! – às práticas dessa gente.   

Eduardo Bolsonaro está ameaçando policiais federais e ministros do STF; atuando contra a economia brasileira, especialmente o agronegócio (tão importante para Minas); e atacando aliados políticos. Está descontrolado e descolado da realidade.

O pai, Jair, cujo passado – inclusive o recente – o precede, como lembrou o FMB em O Antagonista, é adepto do: “Prefiro ganhar de quatro do que perder de pé”. Eu conheço Mateus Simões. Sei que não pensa assim. Por isso este sincero conselho.

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