Quem sou eu para dar conselho político a um vice-governador de estado, do quilate de Mateus Simões? Bem, no mínimo, ou no máximo, alguém que gosta muito dele e que o acompanha desde o início de sua vereança.
O governador Romeu Zema – sabe-se lá o porquê – decidiu rebaixar-se politicamente, já há algum tempo, ao associar não apenas seu nome, mas sua postura de governante, tido como moderado, ao extremismo dos bolsonaristas.
Uma coisa é a justa, legítima e necessária atuação – como oposição – ao governo federal, que é muito ruim mesmo em praticamente todos os aspectos. Outra, contudo, é personalizar e escalar o debate político como tem sido feito.
O bom combate, sim. O mau, não
O presidente Lula deve, sim, ser desmascarado por suas falácias, mistificações e mentiras. Mas não se pode combater tal recriminada postura, utilizando-se de métodos semelhantes. Se, “A Cesar o que é de Cesar”, “A Lula o que é de Lula”.
A parte de responsabilidade que cabe ao lulopetismo no atual rompimento diplomático com os EUA, resume-se ao alinhamento da “alma mais honesta deff paíff” a facínoras e ditadores mundo afora e ao antiamericanismo bocó.
Para piorar, ao se tornar títere da China no âmbito dos Brics, e o “idiota útil” a propor confronto com o dólar, criando uma moeda alternativa no comércio internacional, Lula agravou um já dificílimo acordo comercial com o bufão alaranjado.
Entendam: Trump é tóxico
Porém, a política mafiosa de Donald Trump não é exclusividade do Brasil. O sujeito atira contra tudo e contra todos, comercialmente falando. Inclusive, contra aliados ainda mais históricos e próximos dos Estados Unidos, como a Coreia do Sul.
Quando Zema endossou e subscreveu a insanidade de Eduardo Bolsonaro, imediatamente repetindo as lacrações de bolsonaristas contra Lula, tomou partido não da oposição, mas da família Bolsonaro e de sua busca por impunidade.
Nada diferente, aliás, do que fez Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. O diabo desse alinhamento com o bolsonarismo é a cegueira que causa. Na pressa de se mostrar subalterno, cometem-se erros políticos graves. Talvez, irreversíveis.
Abandonados e tombados
O governador paulista, quase imediatamente, começou a reparar seu erro, mas foi prontamente atacado por Eduardo Bolsonaro. Depois, selaram um armistício nas redes. Mas Tarcísio já entendeu: com os Bolsonaros, é “all in”. Ou tudo, ou nada!
Que digam Gustavo Bebianno, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, General Santos Cruz e tantos outros ex-aliados políticos, que se tornaram alvo da fúria bolsonarista apenas por não aderir – em 150% – ao que querem e “mandam” os chefões.
Agora, simplesmente por apontar o óbvio e ululante – que Eduardo Bolsonaro errou, e feio! -, nosso Chico Bento (Romeu Zema, para os íntimos) já se tornou “comunista na Austrália” e é alvo das maluquices conspiratórias de Dudu Bananinha.
Zema: nem lá, nem cá
No meu comentário no “Papo Antagonista com Felipe Moura Brasil” – no ar de segunda a sexta-feira, de 18:00h às 19:30h, no canal BM&C News e no Youtube de O Antagonista – de terça-feira, 22, eu apontei um fato e um risco para Romeu Zema.
O bolsonarismo não admite meia alma, ou 99% da alma. Quer, como já disse acima, 150% de tudo: coração, corpo e mente. Pior. Sem oferecer nada em troca, senão abandono, ingratidão e traição quando o sabujo é abandonado no meio do caminho.
Agora, ao “criticar” Eduardo, Zema corre o risco de não conseguir se dissociar da enrascada em que o clã das rachadinhas nos meteu – o que é péssimo, eleitoralmente falando – e, ao mesmo tempo, desagradar à bolha bolsonarista.
Quem gosta de Mateus, que o embale
Mateus Simões é o candidato natural – e com todos os méritos – à sucessão de Zema em Minas Gerais. Obviamente, o vice-governador precisa não apenas do apoio do grupo político que o cerca, como o do eleitorado bolsonarista – inclusive o radical.
Entendo perfeitamente os sinais que Mateus envia a este espectro político, mas acredito, sinceramente, que um distanciamento prudente faz-se necessário. Porque Mateus jamais irá aderir – assim espero! – às práticas dessa gente.
Eduardo Bolsonaro está ameaçando policiais federais e ministros do STF; atuando contra a economia brasileira, especialmente o agronegócio (tão importante para Minas); e atacando aliados políticos. Está descontrolado e descolado da realidade.
O pai, Jair, cujo passado – inclusive o recente – o precede, como lembrou o FMB em O Antagonista, é adepto do: “Prefiro ganhar de quatro do que perder de pé”. Eu conheço Mateus Simões. Sei que não pensa assim. Por isso este sincero conselho.