O Poder cega: por prefeitura, Duda fala manso com Nikolas e detona Fuad

Muito além de incoerência ou oportunismo, seu comportamento errático demonstra certa covardia
Duda Salabert no Congresso Nacional
Deputada não abriu mão de pré-candidatura. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A Educação no Brasil – e isso não é novidade para ninguém – ocupa os piores lugares nos rankings internacionais do setor. Nossa taxa de analfabetismo (pleno e funcional) é simplesmente imoral, e resulta num país atrasado, violento, desigual e desesperançoso. 

A recente eleição do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), para a Presidência da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em março deste ano, é só mais um ingrediente desta catástrofe, e mostra como a sociedade (não) se importa com a Educação.

DUDA SALABERT

Política, professora e trans, não necessariamente nessa ordem, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) reúne todas as condições para não apenas se indignar com a eleição do colega, mas, principalmente, para combatê-lo com a máxima veemência política.

Nikolas é daqueles que não admitem a transsexualidade ou quaisquer outras formas de gênero senão a heterossexualidade. Nikolas é daqueles que tentam cercear o debate plural em sala de aula, pois acredita que tudo o que não é “seu”, é comunismo.

MORDE E ASSOPRA

Por isso, nada mais incoerente, ou oportunista, que o comportamento da parlamentar de extrema esquerda ao saudar o jovem bolsonarista: “Pode contar comigo para o bom debate, com o respeito pela sua figura e o partido que o senhor representa”. Como, Duda?!?

É claro que entendo o decoro parlamentar – algo que o próprio Nikolas não entende. É claro que entendo a posição conciliadora da deputada – algo que ela costumeiramente não pratica. É claro que entendo, sobretudo, a importância do diálogo para a construção.

INCOERÊNCIA OU OPORTUNISMO 1

O que não entendo, ou melhor, entendo, sim, é o comportamento agressivo de Duda com o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD). Ao atacar com frequência e virulência injusta – e injustificada – um homem de centro, ela presta um ótimo serviço à extrema direita.

Ao adjetivar Fuad como “prefeito motosserra”, o que é uma mentira (Belo Horizonte acaba de ser nomeada “Cidade Árvore do Mundo” pela ONU), atira indevidamente a população contra uma gestão plural e inclusiva, principalmente nas pautas da Educação e Gênero.

INCOERÊNCIA OU OPORTUNISMO 2

Belo Horizonte figura entre as três melhores cidades do País em acesso à Educação pública (Duda é professora). O prefeito Fuad é um franco incentivador da Parada LGBTQI+ e foi protagonista no primeiro dia do evento (Duda é transsexual).

Duda é pré-candidata à Prefeitura de Belo Horizonte, e seu principal adversário político deveria ser Bruno Engler – um bolsonarista raiz -, e jamais Fuad Noman. Muito além de incoerência ou oportunismo, seu comportamento errático demonstra certa covardia. 

POUPANDO O BOLSONARISMO

A deputada deveria voltar sua bateria de impropérios àqueles que a abominam como pessoa trans, e que desejam impedir a boa educação nas salas de aula. O deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) defende tudo o que Duda abomina, mas ela ataca… Fuad!

Pergunto-me a todo instante o porquê: medo dos bolsonaristas, não discorda tanto assim das pautas da extrema direita, é uma ativista fake? Sinceramente, além de incoerência e/ou oportunismo, creio que falta, sim, e muito!, coragem para o verdadeiro enfrentamento.

ME ENGANA QUE EU GOSTO

Duda foi a vereadora mais votada de Belo Horizonte, em 2020, com mais de 30 mil votos. Prometeu lutar pela cidade, mas sabe o que fez? Alegando perseguição e medo de violência, tratou de buscar os holofotes e os milhões de Brasília. Fugiu como um raio.

Elegeu-se deputada federal em 2022 com mais de 200 mil votos, e sabe o que quer agora? Abandonar seus eleitores novamente e retornar à BH. Ora, Duda declarou que saiu daqui porque estava sendo ameaçada e não se sentia segura. O que mudou? Fala sério, né, minha senhora?

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