Supermercado Verdemar e setor de mineração sob ataques sensacionalistas

Não se trata de passar pano para empresário, produtor, construtor ou torcedor. Trata-se de colocar as coisas no devido lugar
Bandeira Minas Gerais Brasil - Créditos: depositphotos.com / AleksTaurus

Minas Gerais e suas riquezas estão — outra vez! — na berlinda do sensacionalismo nacional e, infelizmente, em alguns casos, local. Na quarta-feira (17) e ontem, quinta-feira (18), algumas manchetes catastrofistas espalharam o fim da atividade minerária no Estado por causa da Operação Rejeito, da Polícia Federal — cuja cobertura detalhada e precisa você pode acompanhar pelo O Fator — como se todo o setor extrativista mineiro fosse sinônimo de ilegalidade. Mas, pior ainda, foi observar publicações locais, alinhadas politicamente com pré-candidatos ao governo de Minas, atacarem a atual gestão sem se preocupar com as consequências econômicas e sociais que suas colocações levianas e enviesadas podem causar.

Também ontem, servidores da Vigilância Sanitária, em fiscalização a um supermercado da capital, recolheram lotes de queijos artesanais da marca própria Verdemar, e arautos do apocalipse recorreram às manchetes fáceis, sem a devida apuração, levando a crer que a tradição mineira de melhores queijeiros é um risco sanitário a ser extirpado. É o retrato perfeito daquilo que não se deve fazer, ou seja, generalizar. Confundir criminosos pontuais com mineradoras sérias, lotes contaminados com laticínios sem controle e redes de varejo de renome nacional com “vendinhas de beira de estrada” é um ataque indigno à economia e à identidade de Minas.

Mineração, o motor do estado

Em 2024, Minas Gerais arrecadou mais de três bilhões de reais com a CFEM (compensação sobre a atividade minerária), liderando o ranking nacional. Só no primeiro trimestre deste ano, respondeu por 40% do faturamento mineral do Brasil (quase 30 bilhões de reais). Sem esse dinheiro, não há estrada, não há escola, não há hospital que se sustente. Criminalizar uma atividade imprescindível à vida humana (automóveis, celulares, tomógrafos, computadores, garfos e facas, “ferrinho de dentista” e milhares de outros produtos sem os quais voltaríamos às cavernas) é mais que desonestidade intelectual; é má-fé. A corrupção pode e deve ser combatida, sim, e será sempre apoiada pela sociedade civil, mas a exploração midiática não pode prejudicar a riqueza que mantém de pé centenas de cidades mineiras e milhões de habitantes.

No caso do “queijo estragado”, a distorção do fato e a exploração sensacionalista são ainda mais cruéis. O queijo artesanal mineiro não é apenas um produto: é símbolo, cultura, orgulho. Ele está nas mesas, nos concursos internacionais, no turismo gastronômico que atrai gente de todo canto. Apreender um lote contaminado é dever da fiscalização. Mas transformar o fato em manchetes, que tratam todos os queijeiros e o próprio varejista em questão como perigosos à saúde pública, é pura ignorância e prejudicial ao varejo mineiro. O Verdemar é referência em qualidade e inovação no Brasil. Trata-se, mais que um case de sucesso, hoje, benchmarking para outras redes. Assim como o Supermercados BH – outro gigante do setor, com faturamento de mais de 20 bilhões de reais em 2024 e presença em quase cem cidades – é um potentado que nasceu aqui, cresceu aqui e carrega o nome de Minas, inclusive para o exterior.

Eles não estão sozinhos

O próprio setor supermercadista mineiro (como um todo) faturou mais de 124 bilhões de reais em 2024, segundo a AMIS (associação que congrega as redes), crescendo quase 10% sobre o ano anterior. Foram 88 novas lojas abertas, mais de 1,2 bilhão de reais em investimentos e mais de 8 mil empregos diretos criados, apenas no ano passado. É uma engrenagem que movimenta consumo, arrecada impostos — só em ICMS, a cota-parte repassada aos municípios mineiros somou 15,5 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano. Atacar esse setor com generalizações é desprezar um dos principais pilares da geração de renda do estado.

E há ainda o setor imobiliário de Belo Horizonte, outro segmento tratado a socos e pontapés pelo Poder Público e pelos radicais, que só veem transtornos em obras, acusam a especulação imobiliária e alardeiam prejuízos ambientais, como se o malfadado Plano Diretor, aprovado na gestão de Alexandre Kalil, já não fosse uma âncora suficiente a puxar para baixo o setor, tornando Belo Horizonte uma das capitais mais hostis às construtoras e atrasadas do país, fazendo a alegria de municípios vizinhos enquanto traz tristeza a quem precisa se locomover entre as cidades, além de tornar os aluguéis cada vez mais caros.

Até no futebol jogam contra

Para completar a guerra midiática contra Minas, há o viés sempre negativo até no mundo do futebol. Quando ocorrem brigas de torcidas de Atlético e Cruzeiro — sempre recrimináveis, obviamente — a imprensa nacional as retrata como se fossem cenas de guerra civil. Entretanto, violências ainda piores e mais frequentes em estádios do Rio de Janeiro e de São Paulo são banalizadas, vulgarizadas e tratadas como meras “confusões de torcida”. A régua, mais uma vez, é distorcida quando se trata de mineiros.

Quem me conhece sabe que corro de populistas e demagogos. Prezo pela máxima de que “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Meu único bairrismo incondicional e cego chama-se Galo! Mas atacar os nossos patrimônios, construídos ao longo de séculos — seja mineração, queijo, varejo (me lembrei agora da centenária Drogaria Araújo, outro baita orgulho nosso), construção civil ou futebol — é atacar a própria espinha dorsal social, econômica e cultural do estado, e não posso permitir isso calado.

Não se trata de passar pano para empresário, produtor, construtor ou torcedor. Trata-se de colocar as coisas no devido lugar: punir quem erra, corrigir o que falha e defender o que dá certo. Minas não é sinônimo de corrupção, nem de contaminação, nem de violência. Minas é minério, queijo, supermercado, construção civil, café premiado e futebol apaixonado. Ah! Torresmo também. Se atacam Minas, me atacam. E aqui não haverá silêncio diante de quem tenta reduzir nosso estado a caricaturas de manchete — seja para ganhar audiência fácil ou para apoiar político covarde que não se expõe.

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