Tudo por 2026: incoerência de Zema salta aos olhos

Não dá para atacar o Brics e, via BDMG, pedir ao mesmo mais de R$ 1 bilhão emprestado
Romeu Zema discursa durante evento com Lula em Betim
Romeu Zema discursa durante evento com Lula em Betim. Foto: CanalGov/Reprodução

São absolutamente legítimas e devem ser incondicionalmente respeitadas todas e quaisquer posições políticas e ideológicas de qualquer cidadão, seja uma autoridade de Estado ou o mais modesto trabalhador do país. Pensamento e partido únicos são próprios de ditaduras. Não aceitar a divergência e querer eliminar o contraditório são atos fascistas, totalitários e inaceitáveis, venham de onde vier – esquerda, direita, centro ou o escambau.

O governador Romeu Zema tem o direito de se associar e comungar pensamentos políticos com quem quiser e bem entender. Se escolheu o bolsonarismo como campo ideológico para sua jornada rumo a uma possível – e ainda improvável – candidatura à Presidência da República em 2026, que seja feliz e tenha sorte, sabendo que escolhas presentes terão consequências futuras. Ninguém é refém do passado, mas é sempre escravo dos próprios atos.

Pois bem. Comer casca de banana; publicar memes infantis na internet, fazendo graça com bebê reborn; negar que houve ditadura militar no país e culpar exclusivamente o governo federal pelo tarifaço trumpista (contra o mundo), não rendeu ao governador os afagos que talvez esperasse receber da família Bolsonaro. Ao contrário. Recebeu, isso, sim, uma bela chinelada no traseiro do deputado federal Eduardo, e o completo desprezo do patriarca do clã, Jair. 

No cravo e na ferradura

Zema faz muito bem em apontar as falhas e os prejuízos de décadas de lulopetismo no Brasil. Essa turma está completando o 17º ano no poder, dos últimos 23. Em enorme parte, a responsabilidade pelo atraso político, social e econômico do país tem nomes e sobrenomes: Lula da Silva e Partido dos Trabalhadores. O próprio presidente da República, inclusive, neste momento de quase ruptura comercial e diplomática com os EUA, tem atuado em desfavor do Brasil.

Contudo, abraçar como tamanduá-bandeira causas irracionais e ilógicas, como a saída do Brasil do Brics, apenas para se contrapor à obediência cega do lulopetismo a regimes autocráticos como China e Rússia, além dos riscos econômicos – a despeito de conceitualmente até estar correto -, denota uma incoerência que beira a desonestidade intelectual. Não dá para atacar o Brics e, via BDMG, pedir ao mesmo mais de R$ 1 bilhão emprestado.

De igual sorte, ainda no campo das incoerências que beiram a desonestidade intelectual, não dá para atacar – com razão – os sigilos do governo federal sobre suas despesas e, por aqui, manter segredo sobre R$ 25 bilhões em incentivos fiscais a empresas que operam no estado. Por fim, criticar – também devidamente – o aparelhamento das estatais pelo PT, não coaduna com a mesma prática que ocorre nas empresas públicas mineiras.

Libertas Quæ Sera Tamen

O ex-governador Fernando Pimentel, assim como sua companheira Dilma Rousseff – nossa eterna estoquista de vento – fez com o Brasil, destruiu a economia mineira, deixando um rastro de dívidas por todos os cantos. Ao final do segundo mandato, Zema entregará ao sucessor uma casa bem melhor que encontrou. Porém, forçoso reconhecer – e ele não reconhece -, foi o petista que conseguiu a suspensão do pagamento da dívida de Minas com a União.

O Brasil está aprisionado entre dois polos extremistas contraproducentes. Tais polos, via de regra, jogam baixo e sujo um contra o outro, adotando mentiras e mistificações como forma de ataques políticos, mantendo a divisão social enquanto continuam sem propostas para o país. Ao invés de discussões, ainda que divergentes, o que é salutar, sobre planos de governo e políticas de Estado, temos isso que aí está – e que ora é objeto da minha crítica.

Um bom político e um bom governante exigem muitas qualidades: inteligência, competência, conhecimento, desprendimento, honestidade (inclusive intelectual), espírito público. Manipular o debate político e adotar a incoerência, o famoso “duplo padrão moral”, como plataforma de governo e cabo eleitoral, não me parecem ser o remédio que precisamos – nem para o Brasil nem para Minas Gerais. É tão somente por isso este “singelo desabafo”. Que o governador não me entenda mal.

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