Justiça autoriza Coteminas a vender pontos comerciais em shoppings durante recuperação judicial

Propostas de compra apresentadas são superiores aos valores de mercado avaliados
Grupo Coteminas está em recuperação judicial. Foto: Divulgação.
Grupo Coteminas está em recuperação judicial. Foto: Divulgação

O juiz da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte autorizou a venda dos direitos de uso de dois pontos comerciais do Grupo Coteminas, que está em recuperação judicial desde julho de 2024. A decisão, publicada nesta sexta-feira (8), permite a alienação das lojas localizadas no Shopping Morumbi (SP) e Ribeirão Shopping (SP).

De acordo com a decisão, as propostas de compra apresentadas são superiores aos valores de mercado avaliados. Para o ponto no Morumbi Shopping, a oferta é de R$ 1,6 milhão, acima do valor de mercado estimado em R$ 1,07 milhão. Já para a loja no Ribeirão Shopping, a proposta de R$ 200 mil supera o valor de liquidação forçada de R$ 162,3 mil.

As Recuperandas demonstraram que as lojas “possuem rendimento deficitário e apresentam prejuízos nos últimos 3 (três) anos”, conforme consta na decisão judicial. Tanto a Administração Judicial quanto o Ministério Público se manifestaram favoravelmente à venda dos pontos comerciais.

Por outro lado, o juiz negou o pedido da Coteminas para vender um imóvel em Montes Claros (MG). A empresa havia solicitado autorização para alienar o bem avaliado em R$ 5,13 milhões por R$ 3,41 milhões. O magistrado destacou que “o valor da proposta apresentada é muito inferior ao valor da avaliação do bem”.

O Grupo Coteminas teve sua recuperação judicial deferida em 25 de julho, com dívidas estimadas em R$ 2 bilhões.

A decisão também determinou que as Recuperandas se manifestem sobre denúncias de atraso no pagamento de funcionários nas unidades de Montes Claros (MG), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB), apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Montes Claros.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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