O primeiro repasse da Samarco em ‘dinheiro novo’ da repactuação de Mariana que não foi para municípios

Termo autorizando a transferência foi assinado nesta quarta-feira (18), em Brasília (DF)
Vista de área atingida pela tragédia de Mariana
O rompimento da barragem aconteceu em 2015 e provocou a maior tragédia ambiental do país. Foto: Corpo de Bombeiros MG/Divulgação

Um termo de repasse de R$ 250 milhões entre órgãos ambientais federais e a Samarco foi assinado nesta quarta-feira (18), simbolizando os primeiros milhões em “dinheiro novo” acertado pela repactuação de Mariana, sem contar as transferências para municípios. O acordo, firmado na sede do Ibama em Brasília (DF), estabelece investimentos específicos para a preservação da fauna terrestre e marinha, em áreas impactadas e não impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

A maior parcela dos recursos, R$ 210 milhões, será direcionada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fortalecer a Rede de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). O investimento permitirá a construção e aparelhamento de duas novas unidades: uma em Nova Lima (MG) e outra em Serra (ES).

“Este acordo deixará um legado para a estrutura dos Cetas, beneficiando uma região com uma biodiversidade singular, que contempla numerosas espécies ameaçadas”, disse o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. Os centros são fundamentais no recebimento de animais silvestres provenientes de entregas voluntárias, resgates e apreensões.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) receberá R$ 40 milhões para ações no Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz, em Aracruz (ES). A unidade de conservação, que abrange 177 km² de área marinho-costeira, é crucial para a proteção de comunidades bentônicas e integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica/Unesco.

“Este repasse demonstra nosso compromisso com a reparação e compensação dos danos causados”, afirma Rosane Santos, diretora de Sustentabilidade da Samarco. A execução das ações será gerenciada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), organização civil escolhida por sua expertise em mecanismos financeiros para conservação ambiental.

O acordo também prevê ações de educação ambiental e aprimoramento dos protocolos de atendimento à fauna. Para a Rede Cetas, estão previstos serviços de apoio às áreas de soltura de animais silvestres e consultorias especializadas para fortalecer e revitalizar suas operações.

O rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, é considerado o maior desastre ambiental do Brasil. O episódio resultou em 19 mortes e afetou 39 municípios em dois estados, com impactos que se estendem por toda a bacia do Rio Doce até o litoral capixaba. A barragem era administrada pela Samarco, mineradora controlada por Vale e BHP.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Prefeitura de Contagem estuda internação compulsória de pessoas em situação de rua

Com ou sem Cleitinho, Republicanos quer Falcão como candidato a vice

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse